Brasília - O governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), não vai recorrer da cassação de seu mandato, decidida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF). Os advogados de Arruda protocolaram hoje uma carta manuscrita de quatro páginas em que o governador cita os motivos que o fizerem desistir do recurso.

A carta, endereçada aos advogados Nélio Machado e Luciana Lóssio, foi anexada à petição em que o recurso é descartado.

"Conclui que posso ajudar mais Brasília no seu aniversário de 50 anos com a minha ausência do que com a minha presença. Diminuem-se os conflitos e as paixões. Por isso, decidi solicitar a vocês, meus advogados, que não recorram ao TSE, apesar do bom direito que nos assiste. Recorrer seria prolongar o drama. Acatando a decisão do TRE responderei aos processos como cidadão comum, longe das paixões e dos interesses políticos. Saio da vida pública", diz o governador na carta.

Demonstrando mágoa, Arruda queixou-se do abandono do Democratas, dos 40 dias de prisão, e de ainda não ter sido ouvido.

"Resisti a um inquérito que já ultrapassa 180 dias. Suportei as pressões, as traições, os flagrantes montados, as farsas, as buscas e apreensões, os vazamentos de documentos para fomentar o escândalo, o abandono do Democratas, 40 dias de prisão. E até agora eu não fui ouvido uma única vez"
O governador afirma que seu estado de saúde foi "variável importante" na decisão tomada no fim de semana, segundo ele, "imobilizado na cama de uma cela".

"Não posso negar que a doença coronariana que me levou ao cateterismo - e agora a cuidados especiais - foi variável importante nesta decisão. Já vivi o bastante para saber que as razões políticas muitas vezes ultrapassam os limites do Direito - e que a humildade de saber parar pode valer mais que a mais forte e destemida insistência", encerra a carta.

O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal cassou o mandato de Arruda por 4 votos contra 3, no julgamento do último dia 16. A Corte entendeu que a desfiliação do DEM ocorreu sem justa causa. Como o partido não reivindicou o mandato na Justiça Eleitoral, o Ministério Público Eleitoral entrou com ação com base na resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que estabeleceu regras para cassação por infidelidade partidária.

Segundo o procurador regional eleitoral, Renato Brill de Góes, o governador não sofreu discriminação, nem perseguição política, mas optou pela desfiliação "por conveniência e estratégia política".

(Agência Brasil)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.