Brasília - O voto pela retirada dos não-índios da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, dado na quarta-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto mobilizou ontem os arrozeiros do Estado. Na capital, Boa Vista, a Associação dos Rizicultores reuniu os produtores para analisar a situação.

Antes de definir novas estratégias de mobilização, Nelson Itikawa, presidente da entidade, disse que o grupo "vai esperar a poeira baixar", mas não ficará de "braços cruzados".

Em Brasília, o líder arrozeiro e prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero (DEM), reuniu-se com dirigentes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e decidiu pela implantação de comitês de gerenciamento de crise em todos os Estados, a começar por Roraima.

A medida é a primeira reação do setor ao voto do relator. Ayres Britto defendeu o cumprimento do Artigo 231 da Constituição, que considera nulas as posses em áreas reconhecidas como terra indígena, ainda que as fazendas sejam tituladas. "A posição do ministro causou arrepios nos produtores do País e vamos começar uma mobilização nacional pela liberdade de produzir", disse Quartiero.

Prontidão - Os índios, por sua vez, prometem ficar em estado de alerta, até a próxima sessão do Supremo para tratar da questão da demarcação da Raposa Serra do Sol. Assim que a sessão for marcada, eles voltarão a se reunir na Vila Surumu, na entrada da terra indígena, para acompanhar a votação dos ministros.

Ontem cedo, os 400 índios que estavam reunidos na vila começaram a retornar para suas aldeias, a maioria em áreas montanhosas, em regiões de fronteira com a Venezuela e a Guiana.

Na noite anterior, por volta das 22h, eles fizeram um forró para comemorar a reunião dos "parentes", como costumam se chamar, e o voto do ministro Ayres Britto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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