BRASÍLIA - O secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, estimou hoje um crescimento real acima de 12% para as receitas administradas (exceto previdenciárias e royalties) em relação a 2009. Ele afirmou ainda que o acumulo de R$ 126,568 bilhões no primeiro bimestre do ano zera as perdas acumuladas em ano de crise severa.

Dados da Receita apontam que a arrecadação de tributos federais em fevereiro foi recorde para o mês, num total de R$ 53,541 bilhões.

E também no mês passado foi a primeira vez em que a receita acumulada em 12 meses ficou positiva, em termos reais (deflacionada pelo IPCA), em 0,21%.

No acumulado em 12 meses até dezembro de 2009, a perda foi de 1,96%, medida usada por Cartaxo para as perdas de arrecadação com a crise financeira internacional, iniciada ao fim de 2008.

Ele explicou que a recuperação da economia abre perspectivas positivas, por isso a estimativa de alta real acima de 12% para a arrecadação em 2010 consta da programação orçamentária que o governo divulgará hoje à tarde.

"A alta expressiva da arrecadação em janeiro e fevereiro zera as perdas acumuladas. Como o Produto Interno Bruto ficou perto de zero no ano passado (na verdade, em menos 0,2%), a Receita Federal teve que suportar desonerações anticíclicas que, aliás, deram excelentes resultados e, sobretudo, posicionaram o país para uma boa saída da crise", disse Cartaxo.

"A arrecadação federal expressou isso, e os dados confirmam. Os Estados também têm acusam boa recuperação de receitas. De sorte que acredito que este ano será um ano bom e poderemos retomar a arrecadação aos níveis de 2008", continuou o secretário.

Somente no ano passado, com as desonerações tributárias para evitar a queda na atividade produtiva, a setores como automotivo, linha branca de eletrodomésticos, material de construção civil, por exemplo, a Receita Federal deixou de arrecadar R$ 25 bilhões.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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