Foram coletados R$ 70,9 bilhões em impostos e contribuições, o maior resultado para o mês

A intensa atividade econômica recolocou de vez a arrecadação da Receita Federal na trajetória de recordes sucessivos. Em abril, a arrecadação de R$ 70,9 bilhões em impostos e contribuições atingiu o melhor resultado para o mês. O total, divulgado ontem em tom de comemoração pelo secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, representa crescimento real (acima da inflação medida pelo IPCA) de 16,75% sobre abril de 2009.

Essa foi a maior alta em relação ao mesmo mês do ano anterior desde novembro do ano passado, quando a arrecadação começou a apresentar sinais mais consistentes de melhora depois do tombo sofrido a partir do fim de 2008, por causa do impacto negativo da crise financeira internacional. No acumulado do ano, a arrecadação também foi recorde.

De janeiro a abril, entraram para os cofres do governo federal R$ 256,88 bilhões. Os números mostram uma expansão de 12,52% na comparação com o primeiro quadrimestre do ano passado. Esse ritmo de crescimento nos primeiros quatro meses do ano já é maior do que os 12% projetos pela Receita para fechar o ano.

Apesar da base de comparação fraca de 2009, o tamanho do salto de 16,7% da arrecadação em abril pode ser melhor observado quando comparado com a expansão de 13,64% verificada em janeiro; de 13,23% em fevereiro e de 6,08% em março. Termômetro. Apesar de fatores sazonais, o desempenho, sobretudo dos tributos que mais funcionam como um "termômetro" da atividade econômica - Cofins, PIS, IPI e contribuição previdenciária - refletem o maior vigor da economia que espelha o aumento da produção industrial, das vendas e da massa salarial.

De janeiro a abril, a Cofins, o PIS e a contribuição previdenciária puxaram o crescimento da arrecadação. Do total de R$ 28,84 bilhões de aumento da arrecadação de janeiro a abril, R$ 8,98 bilhões se devem a Cofins e ao PIS. A receita previdenciária vem em segundo lugar, com um crescimento de R$ 5,932 bilhões em relação ao mesmo período do ano passado.

Os recordes sucessivos verificados na arrecadação, a partir de outubro do ano passado, deverão ser mantidos até o fim do ano, previu o secretário Cartaxo. Segundo ele, mesmo que haja um "esfriamento" da economia a partir do segundo semestre por causa da alta dos juros, do corte adicional de R$ 10 bilhões das despesas do Orçamento e de um eventual agravamento da crise fiscal na Europa, o Produto Interno Bruto (PIB) apresentará, no mínimo, um crescimento de 6% em 2010.

Com essa taxa de expansão do PIB, afirmou, está assegurado um crescimento real da arrecadação acima de 10%. "Esse é o piso. É um grande número que já supera o resultado da arrecadação no período pré-crise", disse Cartaxo. "Coloquei um piso mínimo de 10% ao mês, mas este porcentual pode variar ao longo dos meses", explicou o secretário da Receita. Cartaxo disse não acreditar que o PIB tenha crescimento inferior a 6% neste ano. "Se for maior, 6,5%, 7%, melhor."

Ele aposta que a arrecadação terá desempenho em 2010 muito melhor do que nos anos pré-crise. Em 2008, a arrecadação fechou com alta de 7,68%. Em 2007, o crescimento foi de 11,09%.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.