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Arquitetos de todo o País foram convidados a pensar um projeto de revitalização para uma via de menos de 2 quilômetros, no centro de São Paulo o tamanho, diminuto, poderia sugerir um desafio de menor porte. Mas as polêmicas que passam por ali não deixam dúvidas de que um asfalto ecológico, mais árvores e mais iluminação não serão suficientes para agradar a todos que convivem no espaço.

Enquanto uns defendem que a Frei Caneca deve ser transformada em uma atração turística complementar à Parada Gay, outros levantam a bandeira de uma proposta menos... Colorida.

O fato é que, no último sábado, o Instituto de Arquitetos do Brasil, seção São Paulo (IAB-SP), lançou o edital do concurso de projetos de reurbanização da Frei Caneca. Segundo Vitor Chinaglia, arquiteto que coordena o projeto, o objetivo é escolher a melhor proposta para aprimorar a rua. "Serão avaliados os planos que ajudem a melhorar os arredores da Frei Caneca, como a Rua da Consolação e as Avenidas Paulista e 9 de Julho", disse ele. "Também vamos levar em conta alternativas para o transporte coletivo e a sustentabilidade dos materiais usados, tanto para o mobiliário urbano quanto para o piso."
Douglas Drumond, presidente do Casarão ONG que milita em favor do público GLBTT e entidade que procurou o IAB-SP para a promoção do concurso , porém, tem ideias bem mais audaciosas.

"Queremos lindas árvores frutíferas, com segurança. Nada diferente de uma Oscar Freire", exemplifica. "Para então transformá-la em uma rua com institutos culturais, salões de beleza, casas de noiva, designer, um museu sobre a história do movimento homossexual no Brasil. Para que possa atrair um turismo diferente e mudar a imagem do gay de São Paulo."
Segundo Drumond, a imagem do gay paulistano é muito influenciada pela Parada Gay, considerada a maior do mundo e que neste ano reuniu 3 milhões de pessoas. "É uma imagem mais ligada a festa do que a produtividade. Não que a festa não seja importante, mas queremos reforçar a imagem cultural e também de negócios do público gay. Esse é um papel que a Frei Caneca pode ocupar."
Esse "complemento" à Parada Gay está no centro das polêmicas. Até a proposta de revitalização e o plantio de árvores frutíferas, todos estão de acordo. "Toda melhoria é bem-vinda, também batalhamos pela Frei Caneca", diz a diretora da Sociedade Amigos e Moradores do Bairro Cerqueira César (Samorcc), Célia Marcondes. "A qualidade de vida tem de ser para todos. Não pode ser um público em detrimento do outro. Isso nós somos contra", diz ela, dando o tom da disputa entre os possíveis destinos da rua.

O IAB-SP recebe os projetos para a Frei Caneca até março. No final daquele mês, o vencedor é eleito. Para sair do papel precisará da aprovação da Prefeitura e de financiamento. Uma das exigências é que a proposta resolva "o conflito pedestre/automóvel". Parece o mais fácil deles.

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