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Argentina vai retomar o controle da Aerolíneas

BUENOS AIRES - O grupo espanhol Marsans decidiu deixar o controle da Aerolíneas Argentinas, a maior companhia aérea do país, que agora poderá ser nacionalizada. Uma fonte próxima às negociações disse à agência oficial de notícias Telam que a decisão de vender a Aerolíneas Argentinas estava tomada e que estavam negociando as condições para a saída do grupo controlador. O alto comando da empresa esteve ontem todo o dia reunido com representantes do Ministério do Planejamento e da Secretaria de Transportes para definir o valor das dívidas e como se daria a saída do grupo controlador.

Valor Online |

Em entrevista a uma rádio ontem de manhã, o Secretário de Transportes, Ricardo Jaime, descartou a possibilidade de reestatização. Segundo fontes que acompanharam a reunião desta segunda-feira e pediram para não ser identificadas, o governo quer aplicar à companhia aérea a mesma fórmula que aplicou aos Correios. Vendida em 1997 para o empresário argentino Franco Macri, a empresa dos Correios chegou a 2001 praticamente quebrada, com uma dívida de US$ 740 milhões.

Em 2003, o então presidente Néstor Kirchner assinou um decreto rescindindo o contrato de concessão com Macri e estabelecendo o controle temporário do Estado, dando um prazo de 180 dias para que fosse aberta uma licitação nacional e internacional para a revenda da empresa. Desde então o decreto vem sendo prorrogado e até hoje os Correios continuam sob controle estatal.

O futuro da Aerolíneas Argentinas, no entanto, depende do tamanho exato de sua dívida que até agora é uma incógnita. Segundo Ricardo Jaime são US$ 890 milhões, dos quais US$ 240 milhões exigíveis a curto prazo. A maior parte do valor é devido ao próprio governo em impostos e taxas e à petroleira Repsol YPF, pela compra de combustível. O valor é contestado pelo Marsans que fala em aproximadamente US$ 250 milhões.

Em outubro de 2007, a Aerolíneas entrou com processo na Justiça pedindo proteção contra os credores. Mas nem mesmo o juiz que está a cargo do processo sabe qual o valor exato dos débitos, a empresa não divulga balanços. O valor real do endividamento que, espera-se, seja conhecido esta semana, é fundamental para definir por quanto o grupo Marsans vai vender suas ações correspondentes a 95% do capital da Aerolíneas Argentinas (o governo é dono dos outros 5%).

Um dos sócios do Marsans e principal executivo da Aerolíneas Argentinas, Gonzalo Pascual, havia divulgado uma nota oficial em abril declarando a intenção de abrir o capital da companhia para um sócio local. Agora tudo indica que o grupo mudou de idéia e quer se desfazer de todas as suas ações. Na ocasião, o empresário argentino naturalizado uruguaio Juan Carlos López Mena, foi o único a declarar interesse no negócio. López Mena é dono da Buquebus, a empresa que tem a concessão para fazer o transporte de passageiros por barcos entre a Argentina e o Uruguai, através do Rio da Prata. Procurado ontem pela reportagem do Valor, López Mena não quis comentar o assunto.

A situação financeira da empresa ficou crítica com a alta dos preços dos combustíveis, salários e outros custos como seguros e leasing. E se complicou com a demora na autorização do governo para um reajuste das tarifas. Um aumento de 36% em duas parcelas foi autorizado este ano depois de anos sem reajustes.

Em junho a empresa deixou de pagar os salários e há quatro meses deixou de recolher dinheiro para os planos de saúde e aposentadoria dos empregados. Além disso, 60% de sua frota está parada por falta de insumos e de pessoal. A Aerolíneas precisou recorrer a empréstimos bancários para pagar a metade do 13º salário dos funcionários em junho. Mas este mês, quando voltou aos bancos, teve seu pedido negado.

Na semana passada, o representante do governo no conselho de administração da companhia, Julio Alak, e os sindicatos pediram intervenção judicial para garantir os vôos, o pagamento dos salários atrasados e o combustível. O pagamento acabou sendo feito com um repasse de 50 milhões de pesos dos cofres públicos.

O Marsans comprou a Aerolíneas Argentinas em 1991 pelo valor simbólico de US$ 1, e ainda recebeu o equivalente a US$ 700 milhões do governo espanhol para pagar as dívidas da companhia.

(Janes Rocha | Valor Econômico)

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