Buenos Aires - Governo e setor agropecuário da Argentina disputam voto a voto no Senado e nas ruas de Buenos Aires a aprovação ou rejeição do projeto que legitima as alíquotas variáveis de impostos sobre exportações com taxas elevadas. Até ontem à noite havia uma séria dúvida sobre as reais chances de o governo de aprovar o seu projeto.

A pressão de ambos os lados sobre os senadores é no corpo a corpo e poderá ser vista hoje em dois atos públicos que prometem paralisar a capital federal.

Dos 72 senadores, um já se pronunciou pela abstenção, quatro estariam indecisos, 33 se mostram fiéis ao governo e 34 estariam a favor de adotar modificações no texto que atendam às reivindicações dos produtores rurais. A presidente Cristina Kirchner mandou chamar cada um dos senadores na Casa Rosada, sede do Executivo, e na residência oficial de Olivos. Entre os senadores que desfilaram pelos corredores oficiais estavam os que já se declararam contra as retenções móveis. A romaria vai continuar hoje, segundo a agenda de vários senadores, convocados por Cristina. Mas o poder de convencimento do Governo só será testado mesmo amanhã, quando o Senado levará o projeto ao plenário.

Enquanto isso, a cidade de Buenos Aires hoje estará à disposição dos militantes kirchneristas (seguidores do ex-presidente Néstor Kirchner e de sua mulher, a presidente Cristina), por um lado, e dos produtores rurais, por outro. Seria o penúltimo ato do prolongado conflito que se arrasta há quatro meses. Os kirchneristas marcharão até o Congresso Nacional e as entidades agropecuárias e simpatizantes se manifestarão no Monumento dos Espanhóis. O objetivo dos dois atos é influenciar o voto dos senadores.

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