O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estará apto a financiar, diretamente, empresas de capital argentino e de outros países com recursos do Fundo Soberano do Brasil (FSB).

A nova atribuição do BNDES, hoje limitada a promover projetos apenas de companhias brasileiras, foi confirmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista ao jornal argentino "Clarín".

Na entrevista, Lula diz que será criada uma nova área internacional no BNDES para se encarregar dessas operações de financiamento a "empresas estrangeiras, de novas plantas e de sociedades entre companhias". "Com este Fundo (soberano), poderemos empregar uma parte do dinheiro no BNDES para que esta instituição possa realizar empréstimos, inclusive a empresas estrangeiras", afirmou ao Clarín.

"O Congresso brasileiro pode aprovar antes do fim do ano esse projeto (de criação do Fundo Soberano), que enviamos com regime de urgência constitucional. Espero que o Congresso o vote e, assim, poderemos consolidar o BNDES como uma agência de financiamento que vai além do Brasil."

A ambição de estender os recursos da instituição financeira a empresas estrangeiras, sobretudo na Argentina e no restante da América do Sul, não havia sido antes explicitada pelo governo Lula. Até a semana passada, as autoridades federais informavam sobre os planos de repasse de parte dos recursos do FSB para o BNDES e acentuavam que o Fundo teria o objetivo de estimular o processo de investimento de empresas brasileiras no exterior. Mas o financiamento direto de companhias estrangeiras permanecia um tabu.

O novo esquema, explicado pelo presidente, contorna todos os obstáculos a esse propósito. Pode trombar apenas com o Congresso, onde o projeto de lei de criação do FSB tranca a pauta de votações desde a última terça-feira (dia 2).

A expectativa do Palácio do Planalto é de aprovação do projeto em outubro, logo depois das eleições municipais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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