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Argentina reage à crise e aumenta protecionismo

O governo da presidente Cristina Kirchner prepara-se para enfrentar a crise financeira internacional com mais protecionismo comercial. O objetivo é resguardar a indústria nacional e concentrar mais divisas, de forma que o país esteja melhor preparado para a falta de liquidez no mercado internacional.

Agência Estado |

Entre as medidas avaliadas pelo governo - que devem ser anunciadas até o fim da semana - está o de implantar um mecanismo anti-dumping mais rápido. Com a medida, o prazo para apresentar demandas e realizar investigações de práticas comerciais desleais cairia de 24 meses para 12 meses.

Os industriais temem uma invasão de produtos Made in China. Mas também estão preocupados com a desvalorização do real, que torna os produtos brasileiros mais competitivos no mercado argentino. O governo teme recorrer à desvalorização do peso (que é uma exigência dos industriais argentinos para conseguir maior competitividade), já que isso poderia acelerar a escalada da inflação.

Mas os industriais pressionam e dizem que nos primeiros oito meses deste ano a balança comercial com o Brasil foi desfavorável para a Argentina. O Brasil acumulou um superávit de US$ 3,5 bilhões - 41,6% a mais do que no mesmo período do ano passado.

Nos próximos três meses Cristina viajará para a Rússia, México e países árabes, com o objetivo de procurar mercados para as exportações argentinas. Dentro das medidas para combater os efeitos da crise mundial, a presidente pode anunciar um plano para os produtores rurais, de forma a estimular as exportações.

A idéia seria reduzir as denominadas "retenções", os pesados impostos que aplica para as exportações de produtos agrícolas. Nesse caso, a redução das retenções seriam aplicadas ao milho e trigo. Nos últimos dias, o governo tentou minimizar os efeitos da crise na Argentina. Mas ontem o tom mudou.

O chefe do Gabinete de Ministros, Sergio Massa, admitiu que "o contexto internacional está preocupando a todos nós". Mas destacou que a Argentina, ao contrário de crises anteriores, está "fortalecida", entre vários motivos, pelas reservas de US$ 50 bilhões do Banco Central.

Ontem a taxa de risco do país chegou os 1.002 pontos pela primeira vez desde a reestruturação da dívida pública com os credores privados, em 2005. Os bônus argentinos caíram 1,3%. A Bolsa de Buenos Aires fechou em alta de 0,46%.

O setor empresarial argentino, assustado, também prepara-se para a crise. Várias empresas estão anunciando a suspensão de operários (a suspensão é uma figura da lei trabalhista argentina na qual o trabalhador não é demitido, mas, é mandando para casa recebendo parte de seu salário).

Esse é o caso da Peugeot-Citröen, que comunicou ao sindicato União Operária Metalúrgica (UOM), que pretende realizar suspensões de operários em sua fábrica de El Palomar. A General Motors, instalada na cidade de Rosário, também tomou uma atitude similar.

A rede de supermercados Carrefour reduziu nesta semana o pagamento a prazo sem juros com o cartão de crédito de doze meses para apenas seis meses.

No setor agrícola, que amanhã inicia um novo locaute contra o governo da presidente Cristina, a angústia domina produtores, que assistem a queda do preço internacional da tonelada soja, que nos últimos dois meses perdeu 36% de seu valor. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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