Buenos Aires, 14 out (EFE) - A Argentina confirmou hoje que prepara medidas unilaterais para proteger a indústria nacional da invasão de produtos estrangeiros e as quais prevê pactuar com Brasil, Paraguai e Uruguai, os outros membros do Mercosul.

"Preparamos uma série de medidas unilaterais, como é o reforço das licenças automáticas e não automáticas" de importação, disse o secretário de Indústria argentino, Fernando Fraguío.

Estas medidas visam "controlar os valores das mercadorias que estão sendo importadas", acrescentou, ao discursar no seminário "Compre trabalho Argentino" organizado pela maior patronal do país, que pede proteção para prever os efeitos da crise financeira internacional.

A implantação de licenças "não automáticas" de importação foi o motivo de um conflito com o Brasil em meados de 2004, quando esse mecanismo alfandegário impediu a entrada de eletrodomésticos brasileiros no mercado argentino.

Fraguío afirmou, no entanto, que a Argentina "vai trabalhar no âmbito do Mercosul" para implementar estas medidas.

"A idéia não é outra além de utilizar todas as ferramentas que temos para proteger nossa indústria, nosso mercado e o trabalho dos argentinos", ressaltou.

"Temos uma série de produtos como os têxteis, o calçado e os brinquedos sujeitos a licenças não automáticas, que implicam controles adequados de preço e volume e é possível que a experiência destes tempos nos leve a incluir mais produtos dentro do regime", comentou.

O secretário de Indústria disse que "se trabalhará em conjunto" com os outros membros do Mercosul para analisar o fluxo de importações tanto de dentro como de fora do bloco para aplicar medidas de proteção "que serão emolduradas nas regras de jogo da Organização Mundial do Comércio (OMC)".

Até agora, as restrições alfandegárias da Argentina afetaram principalmente os produtos chineses e de outros países asiáticos, que lideram a lista de denúncias de empresas locais por "dumping" (concorrência desleal).

A União Industrial Argentina, a maior associação empresarial do país, pede que o preço do dólar seja mantido alto e que sejam aplicadas restrições à importação de produtos, principalmente a partir da China, mas também do Brasil.

Os empresários argentinos temem que uma recessão econômica nos países desenvolvidos provoque um "desvio do comércio" da China em direção a esta região.

Além disso, presumem que uma queda do crescimento econômico do Brasil vá acentuar suas exportações rumo à Argentina em um momento em que se calcula que o comércio bilateral alcance, este ano, o recorde de US$ 30 bilhões com um forte déficit para os argentinos.

EFE alm/db

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