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Argentina passa novamente por caos aéreo

Milhares de turistas argentinos - que iniciavam neste fim de semana suas férias de inverno - brasileiros, chilenos, mexicanos e europeus foram vítimas do caos que tomou conta dos dois aeroportos de Buenos Aires, o de Ezeiza (para vôos internacionais) e o Aeroparque (vôos internos). Dezenas de vôos decolaram com atrasos em média de duas horas.

Redação com agências |

Fontes do aeroporto para vôos locais da capital argentina informaram que até o momento 28 vôos foram atingidos hoje por atrasos, enquanto outros seis foram cancelados. Os passageiros enfrentam atrasos de até 30 horas.

Diversos vôos, entre eles alguns que levavam turistas brasileiros de volta para o Rio de Janeiro, partiram com até 24 horas de demora. Os maiores problemas foram apresentados pelos vôos das companhias Aerolíneas Argentinas e sua associada Austral, responsáveis pela maioria dos vôos internos e de grande parte dos vôos internacionais.

"Houve uma excessiva venda de passagens ante a escasez de aviões disponíveis para a temporada de inverno", informou neste domingo o novo presidente das Aerolíneas Argentinas-Austral, Julio Alak, designado na semana passada pelo governo de Cristina Kirchner.

Segundo ele, o sábado foi o dia mais difícil em termos de overbooking, mas que a situação seria normalizada paulatinamente.

O ministro do Planejamento, Julio de Vido, acusou no sábado a Marsans de querer fazer caixa vendendo passagens além do número de aviões e tripulação de bordo disponíveis.

"Foram vendidas passagens como se os aviões estivessem funcionando em pleno vapor e só está voando pouco mais da metade da frota, ouo seja, 29 aeronaves, enquanto que as outras 25 estão paradas por falta de manutenção", explicou, por sua parte, Edgardo Llano, secretário-geral do sindicato Associação do Pessoal Aeronáutico.

Os vôos domésticos também sofrem com o caos generalizado e que atinge também o aeroparque "Jorge Newbery". O início do recesso escolar de inverno faz com que muitas famílias aproveitem para viajar para centros de esqui.

Na sexta-feira, porta-vozes da Aerolíneas alegaram que os vôos estavam atrasados por problemas "radiotécnicos". A empresa sustentou que uma estação de rádio FM clandestina havia provocado os inconvenientes por "interferências radiais", impedindo o tráfego aéreo. No sábado, o argumento para os atrasos continuava sendo o mesmo. Hoje, a companhia sequer estava fornecendo explicações para as demoras.

Mas, os sindicatos de funcionários aeronáuticos, desde a sexta-feira, contradiziam o argumento da companhia e sustentavam que a empresa espanhola Marsans - que até a semana passada havia administrado a Aerolíneas - havia vendido passagens em excesso. A denúncia foi reforçada pelo Ministro do Planejamento e Obras, Julio De Vido, que acusou a Marsans de emitir passagens por US$ 140 milhões sem ter uma frota em condições de cobrir os serviços. "A empresa queria fazer dinheiro, mas não contava com condições de dar o
serviço", acusou De Vido.

Início dos problemas

Os problemas que alteraram o programa dos vôos começaram em meados da semana passada, apesar de, num primeiro momento, terem sido atribuídos à neblina e a certas interferências de radioemissoras clandestinas nas comunicações entre a torre de controle e as aeronaves.

O governo argentino assinou na segunda-feira passada o acordo de reestatização das companhias Aerolíneas Argentinas (AA) e Austral, em crise depois de sete anos em poder do grupo espanhol, com um passivo de US$ 890 milhões.

A iniciativa de voltar a estatizar soma-se às empreendidas durante o governo do presidente peronista social-democrata Néstor Kirchner (2003-2007), com as empresas de água potável, correios e estradas de ferro, entre outras.

A privatização das AA e Austral havia sido uma das mais polêmicas dos anos 90, quando o presidente peronista liberal Carlos Menem (1989-1999) as cedeu à espanhola Iberia, apesar de um aluvião de denúncias judiciais por corrupção presumível.

A Ibéria se retirou do negócio em 2001 e deixou um passivo de US$ 700 milhões, quantia com a qual teve que arcar o erário público argentino para transferir a posse ao grupo espanhol Marsans que, por sua vez, pagou um preço simbólico de um euro.

Durante o ano, o gerenciamento da Marsans fracasssou e o Estado teve que pagar os 9.000 assalariados das empresas.

Ambas controlam 80% do mercado de cabotagem, paralelamente às rotas internacionais administradas pela AA.

Apenas 32 dos 56 aviões da frota total de ambas as companhias estão em condições de voar, segundo o sindicato da Associação de Pilotos, que denunciou um processo de esvaziamento.

Com informações da Agência Estado, AFP e Efe

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