O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que a aliança estratégica entre Brasil e Argentina na produção de alimentos é capaz de ajudar a resolver o problema da falta de alimentos no mundo. Lula disse também não desistiu de retomar as negociações da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na abertura de um seminário de empresários brasileiros e argentinos, em Buenos Aires, para discutir a integração produtiva, Lula afirmou que "o empresário argentino não deve olhar para o Brasil como um país competidor". "Tem que olhar como um mercado de 190 milhões de consumidores", disse. E o Brasil, por sua vez, "tem que olhar para a Argentina como um potencial de consumo de 40 milhões", acrescentou. "Mas o mais importante é que a somatória de todos é que somos 230 milhões de habitantes e, possivelmente, os únicos fora dos países grandes que têm competitividade e, certamente, levam vantagem no setor agrícola", enfatizou Lula para uma platéia com cerca de 800 empresários de ambos os países.

Neste sentido, Lula disse que, quando se fala em crise de alimentos, "alguns países podem ficar preocupados, e penso que a Argentina e o Brasil podem ver com certa preocupação, mas principalmente como uma oportunidade histórica de nos transformarmos em países para oferecer alimentos não só para nossa população mas também para fora".

Rodada Doha

Para Lula, o fracasso das negociações da Rodada Doha no mês passado, em Genebra, foi por pura falta de interesse político dos grandes líderes para superar as dificuldades. Ele contou que há dois anos falou várias vezes com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, com o ex-presidente da França Jacques Chirac e com o atual, Nicolas Sarkozy, com a chanceler alemã Angela Merkel, entre outros, para dizer que era necessária uma decisão política deles para destravar as negociações. "Nossos técnicos já tinham esgotado a parte técnica e feito tudo o que podia ser feito. A questão é política porque, afinal, é época de eleições nos Estados Unidos e na Índia. E em tempos de eleição é difícil tomar decisões, principalmente na questão agrícola, porque tem muitos interesses políticos", justificou.

O presidente Lula, no entanto, voltou a afirmar que não desistiu da Rodada Doha. "Eu não estou desanimado e vou continuar teimando para conseguir um acordo, porque acho que se não concluirmos com um acordo, possivelmente Argentina e Brasil não sofram tanto, mas os países pobres que precisam ser incentivados a produzir alimentos e para produzir alimentos precisam ter os mercados dos países ricos abertos, eles não vão produzir alimentos e as pessoas vão continuar passando fome", explicou. "E haverá uma legislação cada vez mais dura por parte dos países ricos para proibir o trânsito das pessoas mais pobres, criando dificuldades para a imigração", criticou o presidente, arrancando os primeiros aplausos da platéia.

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