Buenos Aires, 26 jan (EFE).- Argentina e Brasil reconheceram hoje estar muito preocupados com a forte queda do comércio bilateral detectada este mês como consequência da crise econômica global.

Após se reunir hoje em Buenos Aires com o secretário de Indústria argentino, Fernando Fraguío, o secretário-adjunto de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, afirmou que a troca bilateral caiu 40% neste mês.

Ramalho afirmou que as trocas com a Argentina, segundo destino das exportações do Brasil depois dos Estados Unidos, caíram, assim como o comércio argentino com outras nações em um contexto que mudou "drasticamente" nas últimas semanas.

Fraguío não quis dar detalhes da evolução da troca bilateral em janeiro, mas admitiu que, na reunião de hoje, onde estudou com Ramalho os números do comércio, "a Argentina expressou sua forte preocupação com o fluxo comercial".

"Nesta situação, a prioridade da Argentina está na proteção do emprego e da produção", acrescentou.

"Houve uma queda das exportações e das importações (...).

Compreendemos as leis gerais de todos os países do mundo quanto à baixa nas exportações e das importações", disse o funcionário.

De acordo com relatórios privados, no ano passado a Argentina acumulou um déficit comercial com o Brasil de US$ 4,344 bilhões, com um crescimento anualizado de 8,4% frente ao saldo acumulado em 2007.

A Argentina destacou na reunião de hoje seu déficit com o Brasil no comércio de peças e autopeças. Segundo dados oficiais, o país importou no ano passado US$ 1,284 bilhão, enquanto exportou US$ 733 milhões.

Mais equilibrado foi o comércio de automóveis, o principal item da balança comercial entre os dois mercados, com exportações do Brasil à Argentina no valor de US$ 2,564 bilhões em 2008, e importações de US$ 2,384 bilhões.

Sobre o trigo argentino, Ramalho disse que a "preocupação" do Brasil é "bastante grande", pois a produção brasileira não é suficiente para abastecer a demanda interna.

Segundo Ramalho, o Brasil quer continuar importando o cereal a partir da Argentina por sua qualidade e seu preço "competitivo", mas lembrou que, no ano passado, já foi obrigado a comprar de outros fornecedores, após o país vizinho ter decidido cortar as exportações para abastecer seu mercado interno a preços razoáveis.

"O trigo tem um peso muito grande no Brasil nos preços da cesta básica, por isso é um tema sensível", afirmou Ramalho. Já Fraguío prometeu que a Argentina "direcionará suas exportações de excedentes em direção ao Brasil na medida que for possível". EFE nk/db

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