Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Argentina anuncia data para quitar dívida histórica

Governo quer pagar os credores da moratória de 2001 para voltar a ter acesso ao mercado internacional de capitais

Thomaz Favaro, especial para o iG de Buenos Aires |

Depois de anos de adiamentos, o governo argentino finalmente fixou uma data para renegociar com os credores da declaração da moratória da dívida externa do país, em 2001. O ministro da Economia, Amadou Boudou, anunciou nesta quarta-feira que a oferta do governo será divulgada em 14 de abril. O montante de dívidas a serem pagas, caso a negociação se concretize, é de US$ 29 bilhões, dos quais US$ 9 bilhões são apenas a título de juros.

Com a oferta, o governo da presidente Cristina Kirchner espera colocar um fim à novela dos “holdouts”, como são conhecidos os portadores de títulos argentinos que se recusaram a participar da primeira oferta, em 2005. O objetivo é limpar o nome do país para poder aceder ao mercado internacional de capitais, reduzindo os custos de financiamento.

A recessão provocada pela crise mundial empurrou as contas públicas da Argentina para o vermelho e falta dinheiro em caixa para honrar as despesas. Só este ano, a Argentina terá de pagar cerca de US$ 15 bilhões em compromissos da dívida externa.

A oferta está sendo negociada com os bancos Barclays, DeustcheBank e Citibank, que, juntos, representam metade do montante devido. O governo espera que pelo menos 60% dos credores aceitem a proposta, que já recebeu o aval da Comissão de Valores dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês), órgão que regulamenta o mercado financeiro americano. Caso consiga a aceitação, a dívida poderá ser considerada virtualmente quitada e o país voltará a poder tomar dinheiro emprestado no mercado internacional.

Maior moratória da história

Em 2001, em meio a uma grave crise política e econômica, a Argentina anunciou a moratória de sua dívida externa de mais de US$ 100 bilhões, a maior da história. A crise teve origem, em grande parte, na insustentável paridade do peso argentino com o dólar, que durou uma década. O país entrou em colapso social, com os argentinos saindo às ruas diariamente para protestar contra o governo. Em doze dias, a Casa Rosada recebeu cinco presidentes. O PIB chegou a cair 10% em um único ano e metade da população passou a viver na pobreza.

Em 2003, Néstor Kirchner, marido de Cristina, foi eleito com a promessa de renegociar a dívida. Dois anos depois, apresentou a oferta final do governo: a Argentina pagaria 35 centavos para cada dólar devido. Três quartos dos credores aceitaram o acordo: os demais pediram uma nova rodada de negociações, na esperança de obter melhores condições. Não conseguiram.

Desde 2005, os credores que ficaram de fora do acordo vêm procurando seus diretos na Justiça, apontando bens do governo argentino no exterior para sequestro judicial como garantia de parte do pagamento. As contas das embaixadas argentinas nos Estados Unidos e na Bélgica chegaram a ser congeladas temporariamente e os novos aviões da companhia aérea estatal Aerolíneas Argentinas correm o risco de serem retidos judicialmente caso aterrissem no exterior.

A notícia da nova oferta com data marcada foi bem recebida pelos investidores. O ministro da Economia, Amado Boudou, já anunciou que não pagará mais de 0,34 centavos para cada dólar devido, mas como poucos credores ainda acreditam em uma solução judicial, é provável que a maioria aceite o acordo. “O governo precisa renegociar o restante da dívida para voltar a captar empréstimos pagando taxas de juros de um dígito, como faz o Brasil”, afirma Fausto Spotorno, economista-chefe da consultoria Orlando Ferreres y Asociados.

Nos últimos cinco anos, o casal Kirchner conseguiu dinheiro com seu aliado político Hugo Chávez, que comprou mais de US$ 7 bilhões em títulos da dívida argentina. O problema é que o presidente venezuelano cobrava juros de agiota _em 2008, chegou a pedir 15%.

O governo de Cristina Kirchner também buscou outras fontes de recursos menos “ortodoxas”, como os fundos de pensão privados (estatizados em 2008) e as reservas do Banco Central, que serão usadas para pagar a dívida de US$ 6,7 bilhões com o Clube de Paris, grupo de países ricos credores. “A Argentina vai regularizar todas as suas dívidas”, disse o ministro do interior Florencio Randazzo.
 

Leia tudo sobre: ArgentinamoratóriodívidarenegociaçãoKirchner

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG