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A disparada do preço do petróleo no mercado internacional causou perdas na área de refino da Petrobras. No primeiro semestre, o prejuízo foi de R$ 615 milhões, ante R$ 4,409 bilhões de lucro no mesmo período de 2007.

Esse desempenho é fruto, principalmente, de um primeiro trimestre sem reajustes no preço dos combustíveis, quando o prejuízo chegou a R$ 566 milhões. No segundo trimestre, após os aumentos nos preços da gasolina e do diesel, as perdas caíram para R$ 49 milhões.

"A redução do resultado da área de abastecimento decorreu da elevação dos custos de aquisição e transferência de petróleo e de importação de derivados, refletindo o comportamento das cotações internacionais", informou a empresa, em relatório para o mercado financeiro. O cenário tende a melhorar com a queda nas cotações internacionais do petróleo.

Segundo a Petrobras, a cesta de combustíveis vendidos pela empresa custa hoje US$ 109 por barril, enquanto o petróleo fechou ontem nos US$ 113 por barril. Mantida a queda dos preços internacionais, que chegaram a superar os US$ 140, a tendência é que a defasagem seja eliminada em breve.

A área de abastecimento da companhia sofreu também com o crescimento do consumo interno de óleo diesel, que o Brasil importa por falta de capacidade de refino. Segundo o diretor-financeiro da companhia, Almir Barbassa, a empresa foi obrigada a importar mais petróleo leve para misturar ao pesado petróleo nacional e produzir mais diesel. No primeiro semestre, o petróleo leve custava, em média US$ 13 por barril mais caro que o petróleo nacional.

O índice de utilização de petróleo nacional caiu de 79% para 77% entre o primeiro e o segundo trimestres de 2008. "Por razões econômicas, a área de abastecimento preferiu importar óleo leve do que diesel", explicou Barbassa. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as vendas de óleo diesel cresceram cerca de 10% no primeiro semestre. Para a Petrobras, o movimento reflete o crescimento da atividade econômica.

A empresa espera reduzir a necessidade de importações de petróleo leve à medida que comecem a entrar em operação os campos da região do pré-sal, com petróleo de boa qualidade, que produz maior quantidade de óleo diesel. Além disso, investe em modernização das refinarias existentes e na construção de novas unidades para transformar petróleo pesado em combustíveis nobres, como diesel e querosene de aviação.

A disparada do petróleo, por outro lado, beneficiou os negócios da área de exploração e produção da companhia, que teve lucro de R$ 20,987 bilhões no semestre, um crescimento de 83% em relação ao mesmo período do ano anterior.