Por Philip Blenkinsop BRUXELAS (Reuters) - A ArcelorMittal, maior grupo siderúrgico do mundo, previu um início muito fraco para 2009, mas divulgou sucesso na redução de dívida após um quarto trimestre em que a empresa sofreu prejuízo.

Uma redução de 6 bilhões de dólares na dívida líquida ajudou as ações da empresa a avançar nesta quarta-feira, depois de um tombo de quase 10 por cento na véspera.

A ArcelorMittal prevê que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) no primeiro trimestre cairá para cerca de 1 bilhão de dólares por causa de cortes de preços no final do trimestre de até 40 por cento e produção em 55 a 60 por cento da capacidade.

A crise econômica global reduziu a demanda de uma série de produtos, de carros a eletrodomésticos, o que atinge as siderúrgicas, mineradoras e processadoras de metais.

A empresa reduzirá pela metade o dividendo anual para 0,75 dólar por ação, economizando 1 bilhão de dólares.

"A situação econômica em que estamos é excepcional... Os mesmos problemas precisam ser divididos entre todos os acionistas", disse o vice-presidente financeiro da ArcelorMittal, Aditya Mittal.

A companhia informou que espera que a demanda por aço caia entre 7 e 10 por cento em 2009, mas o primeiro trimestre será o ponto baixo em termos de lucratividade.

Aditya Mittal informou que a companhia está vendo os primeiros sinais positivos de recuperação do mercado chinês, com melhora nos preços. O movimento de redução de estoques está quase concluído nos Estados Unidos, mas deve continuar neste trimestre na Europa.

A dívida do grupo caiu para 26,5 bilhões ante 32,5 bilhões de dólares no final do terceiro trimestre. A empresa informou que está dentro do planejado na redução da dívida líquida em 10 bilhões de dólares até o final de 2009.

A companhia informou que o Ebitda do quarto trimestre caiu para 2,81 bilhões de dólares ante média de previsões de analistas de 2,24 bilhões de dólares. O resultado ficou dentro da estimativa da própria empresa, de 2,5 bilhões a 3 bilhões de dólares, mas bem abaixo dos 4,85 bilhões de dólares registrados um ano antes.

O grupo teve prejuízo líquido de 2,63 bilhões de dólares, por causa de encargos de 3,1 bilhões de dólares relacionados a baixas contábeis em inventários e provisões para cortes de empregos e litígios.

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