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Aracruz vai dominar mercado global

O acordo anunciado ontem entre os grupos Votorantim e Safra para unir a Votorantim Celulose e Papel (VCP) e a Aracruz vai criar uma potência mundial de celulose, avaliada em mais de R$ 15 bilhões. Juntas, elas terão 32% do mercado mundial de celulose de eucalipto - tipo de celulose que está substituindo a produzida a partir de pinus, de cultivo mais caro e demorado.

Agência Estado |

"A Aracruz será para a celulose o que a Vale é para o minério", diz Peter Ping Ho, analista especializado em papel e celulose da Corretora Planner.

A fusão é uma conseqüência das negociações iniciadas há cinco meses para rearrumar a participação dos sócios na Aracruz. Até o início do ano, o capital e o comando da Aracruz eram divididos entre o grupo Votorantim - que é dono da VCP -, a família do norueguês Erling Lorentzen e a família Safra. Um contrato entre os sócios previa que eles rediscutissem as participações em 2008. Em agosto, a Votorantim comprou por R$ 2,71 bilhões a participação dos Lorentzen na empresa (28%). Ontem, Votorantim e Safra anunciaram oficialmente terem chegado ao acordo que faltava para definir o controle da empresa.

Os Safra tinham o direito, por contrato, de vender sua participação ou fazer uma oferta pela parte dos Lorentzen na Aracruz. Mas decidiu se compor. Pelo acordo, Votorantim e Arainvest (que reúne a participação dos Safra na Aracruz) criaram uma holding na qual terão 50% do capital votante cada e, respectivamente, 57,23% e 42,77% do capital total. Para chegar lá, foi feita uma troca de ações em que cada papel da VCP foi avaliado com o mesmo peso de uma ação da Aracruz. Além disso, os Safra desembolsaram R$ 530 milhões.

O resultado é que uma empresa deverá incorporar a outra - provavelmente, a Aracruz será a dominante. Com o possível nome de Nova Aracruz, a empresa será comandada em regime de co-gestão pelos dois grupos. "Eles já conviviam bem na Aracruz, não têm medo de conflitos", disse uma fonte ligada ao negócio. A nova holding terá 100% das ações ordinárias da VCP e cerca de 28% das ações ordinárias e 14,8% das ações preferenciais da Aracruz. O acordo foi costurado pelo o banqueiro Pércio de Souza, da Estáter, por parte da Votorantim, e pelo banco JP Morgan, pelos Safra.

As conversas começaram há cinco meses e, no princípio, previam a manutenção do controle dos três sócios. Mas as negociações só evoluíram depois que a Votorantim fez uma proposta bilionária pelas ações dos Lorentzen. "Duas semanas depois, o acordo estava fechado", disse uma pessoa ligada às empresas. Com os Safra, a conversa foi mais fácil. Desde o início, a família queria continuar no negócio e não era contra o acerto com a Votorantim.

Outros grupos sondaram as empresas, numa tentativa de comprar parte da Aracruz. O grupo Garuda, da Indonésia, um dos maiores produtores do mundo de celulose e de óleo de palma, chegou a conversar com os Lorentzen e com os Safra, com uma proposta superior à da Votorantim. Mas o acordo entre os três acionistas da Aracruz previa o direito de preferência para os sócios nas negociações.

Com o caixa reforçado pela venda de sua área petroquímica para a Petrobrás por R$ 2,7 bilhões, a Suzano demonstrou interesse na Aracruz. No mercado, chegou-se a falar numa oferta de R$ 3,5 bilhões pela parte dos Lorentzen e numa composição com a família Safra. Apesar dos rumores, a família Feffer, dona da Suzano, não chegou a efetivar a proposta.

Em nota, a Suzano confirmou ter estudado a entrada na operação da Aracruz. "Em face do modelo de negócios, a empresa decidiu que neste momento deve seguir com a implantação das novas unidades industriais divulgadas, entendendo, porém, que o processo de consolidação em curso é muito bom para o setor."

Com capacidade anual de produção de 3,2 milhões de toneladas de celulose, a Aracruz tem planos para mais que dobrar essa produção, para 7 milhões de toneladas, até 2015.

A VCP tem plano de chegar a uma capacidade de produção de celulose de cerca de 3,5 milhões de toneladas até 2012. Em 2007, a empresa vendeu 1,1 milhão de toneladas.

É provável que parte desses planos seja revista depois da fusão, para evitar gastos duplicados. "A empresa poderá regular a produção e terá capacidade de influenciar os preços em todo o mundo", disse Ho, da Corretora Planner.

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