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Aracruz liquida derivativos e perdas chegam a cerca de US$ 2 bi

A Aracruz liquidou ontem 85% de suas posições de derivativos de câmbio e deve liquidar o restante até o final do dia, revelam fontes próximas às negociações. Ao câmbio atual, na casa de R$ 2,10, as perdas são estimadas em aproximadamente US$ 2 bilhões.

Agência Estado |

O valor equivale à receita de um ano de exportações da fabricante de celulose, de US$ 2,1 bilhões em 2007.

Depois de duras negociações com um grupo de 12 bancos, com os quais contratou as operações de derivativos, a Aracruz concordou em iniciar a liquidação das posições na quarta-feira, e tinha até hoje para liquidar mais de 90% das operações. Uma vez liquidadas as posições, bancos e empresa terão trinta dias para negociar prazos e condições para o pagamento da dívida.

Até a semana passada, a Aracruz vinha resistindo em liquidar as perdas. A empresa estava fechada em sua proposta de fixar uma taxa de câmbio para liquidar as posições, entre R$ 2,05 e R$ 2,10. Considerando a cotação do dólar na semana passada, na prática isso equivaleria a um desconto de cerca de 30% na dívida.

Além disso, a companhia propôs pagar a dívida em 15 anos, com uma taxa de juros abaixo da de mercado. A proposta gerou um grande mal-estar entre os bancos, que não concordaram em dar qualquer desconto na dívida, uma vez que, pelo porte da companhia e de seus acionistas (grupos Safra, Votorantim e família Lorentzen), ela teria, na opinião dos bancos, condições de absorver o endividamento.

Empresa eminentemente exportadora, com 75% dos custos em reais, há anos que a Aracruz vem realizando operações financeiras de proteção cambial do tipo Target Accrual Redemption Note (TARN). Desde 2004, o uso de derivativos financeiros, além de outros instrumentos de proteção contra a valorização do real, geraram um ganho acumulado de R$ 630 milhões. Entretanto, fontes do mercado relatam que, desde o final do primeiro trimestre deste ano, a empresa passou a realizar operações do tipo TARN de forma bastante agressiva, extrapolando a política de risco da própria companhia.

A empresa estava com uma exposição de US$ 10 bilhões, enquanto as receitas anuais com exportação são da ordem de US$ 2 bilhões. As operações contratadas pela Aracruz previam ganhos limitados com a valorização do real, e perdas ilimitadas no caso de desvalorização - cenário tido como pouco provável até algumas semanas atrás. Pelos contratos, quando a cotação ultrapassasse determinado teto fixado entre as partes, as perdas se multiplicariam por dois.

As perdas com derivativos de câmbio já levaram a companhia a suspender investimentos na expansão de sua fábrica em Guaíba, no Rio Grande do Sul, e na compra de terras e formação de florestas na Bahia e em Minas Gerais. O investimento previsto para esses projetos em 2009 era da ordem de US$ 900 milhões. A empresa também está adotando medidas de contenção de custos e de despesas operacionais, e anunciou o cancelamento de R$ 84 milhões no pagamento de dividendos sob a forma de juros sobre o capital próprio. As perdas levaram a empresa a registrar um prejuízo de R$ 1,6 bilhão no terceiro trimestre.

O prejuízo também levou à suspensão da fusão da Aracruz com a VCP. Desde que anunciou, em 2 de outubro, perdas potenciais de U$ 1,95 bilhão com derivativos, as ações caíram 68%. Ontem, contudo, diante do avanço das conversas com os bancos, os papéis da companhia lideraram as altas na Bovespa. As ações preferenciais tiveram valorização de 26,37%, para R$ 2,54. Os papéis da empresa também se destacaram entre as ADRs brasileiras em Nova York e fecharam o dia em US$ 11,90, alta de 25,53%.

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