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Aracruz e bancos devem adiar acordo sobre dívida

Os bancos credores da Aracruz já aceitam esticar o prazo para renegociação da dívida causada por operações malsucedidas com derivativos cambiais - de US$ 2,1 bilhões. Pelo cronograma inicial, o acerto deveria ser fechado até 30 de novembro.

Agência Estado |

Executivos de alguns desses bancos acham que a negociação pode ganhar um ritmo menos estressante a partir de agora, com a chegada do novo diretor-financeiro da Aracruz, Marcos Grodetzky, anunciada no começo da semana. Ele substituiu Valdir Roque, que veio da Votorantim Celulose e Papel e ficou apenas um mês no cargo.

Velho conhecido dos executivos com quem irá negociar, Grodetzky já trabalhou nos bancos HSBC, Safra, Citibank e Unibanco. O detalhe curioso é que, apenas uma semana antes de ser anunciado no novo emprego, Grodetzky quase foi parar do outro lado do balcão: ele negociou com os bancos credores para representá-los nas negociações com a Aracruz.

"No grupo de credores há muitos bancos estrangeiros e eles preferiram contratar um negociador de fora", afirma o executivo de uma dessas instituições. O grupo, de 13 bancos, escolheu o Alvarez & Marsal, um escritório especializado na reestruturação de empresas, com sede em Nova York. Grodetzky foi avisado da opção dos bancos na semana passada. Na noite da última segunda-feira, seu nome foi anunciado pela Aracruz. Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Grodetzky não retornou.

A Aracruz e seus credores reuniram-se na terça-feira para iniciar as discussões sobre a renegociação da dívida. "O clima melhorou, no começo as discussões foram pesadas, muito desgastantes", afirmou o executivo de um dos bancos.

Segundo ele, a primeira proposta da Aracruz, feita no mês passado, envolvia condições de prazo, juros e taxas que representavam um desconto de 50% a 60% sobre os US$ 2,1 bilhões que as instituições querem receber. "A proposta era inaceitável", disse. "A Aracruz chegou a essa situação por conta própria e é uma companhia que tem capacidade de pagar sua dívida."

Antes de renegociar a dívida, os credores querem avaliar as operações da Aracruz, para conferir sua capacidade de pagamento da dívida. "Depois disso, poderemos propor um pacote financeiro condizente", diz um executivo envolvido na negociação.

Segundo fontes, a Stora Enso, maior fabricante de papel do mundo, estuda fazer uma proposta pela participação de 50% que a Aracruz tem na Veracel, indústria de celulose do Sul da Bahia. A Stora Enso, uma empresa sueco-finlandesa, já é dona de 50% da Veracel e avalia se, diante das dificuldades financeiras da sócia, não seria melhor tentar ficar sozinha na fábrica de celulose.

Em fato relevante, a Aracruz anunciou ontem que não cogita vender sua participação. Os bancos credores se dividem a respeito do assunto. Alguns deles querem que a Aracruz deixe a Veracel e use o dinheiro para quitar a dívida. Outros acham que a Aracruz não precisa se desfazer da Veracel, por causa da dívida. "É melhor ficar com esse ativo", diz um executivo. "Ele pode ajudar a liquidar a dívida".

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