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Aquisição no setor do cimento é o novo passo de nacionalizações venezuelanas

Caracas, 18 ago (EFE) - A estratégia de nacionalização levada a cabo pelo Governo de Hugo Chávez dá hoje um novo passo com a assinatura de compra e venda por parte do Estado venezuelano da maioria das ações das fábricas de cimento suíça Holcim e francesa Lafarge, e a ameaça de desapropriação da mexicana Cemex.

EFE |

A compra e venda do setor de cimento aconteceu hoje quando o vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizález, acompanhado de Rafael Ramírez, ministro da Energia e titular da Petróleos de Venezuela S/A (PDVSA), assinou os respectivos acordos com Holcim e Lafarge, por um total de US$ 819 milhões.

No entanto, o Governo venezuelano não pôde chegar a um acordo com a filial venezuelana da mexicana Cemex, pelo que, se as negociações não se resolverem antes de meia-noite, "o próximo passo é o da desapropriação", anunciou o vice-presidente.

Soldados da Guarda Nacional (GN, Polícia militarizada) e quatro juízes ocuparam hoje a filial venezuelana da fábrica de cimento mexicana Cemex, seis horas antes de vencer o prazo legal prévio à sua desapropriação, informou uma emissora de televisão.

A emissora "Globovisión", de Caracas, destacou que a ocupação das instalações da Cemex na cidade de Maracaibo (oeste), capital do estado de Zulia, fronteira com a Colômbia, aconteceu quando ainda "não se completou o prazo até a meia-noite para chegar a um acordo" de compra e venda.

Carrizalez afirmou hoje, após a assinatura dos respectivos acordos, que "começa a partir de hoje uma sociedade com estas duas corporações (Lafarge e Holcim); certamente, com a maioria nas mãos do Estado".

Caso se concretize a desapropriação da Cemex, e depois da aquisição majoritária da Holcim e da Lafarge, o Estado venezuelano passaria a controlar 98% da indústria de cimento nacional.

Na negociação com a empresa mexicana não foi possível chegar a um acordo "pois o valor solicitado pela Cemex é muito alto, muito acima dos US$ 1,3 bilhão", disse Carrizalez.

"A Cemex tem problemas ambientais, de atraso de tecnologia, o que significa que não pode ser um valor muito acima do que estamos adquirindo" das outras duas empresas, acrescentou o vice-presidente, que, além disso, foi acompanhado pelo diretor de Lafarge-Venezuela, Máximo Dollman.

A mexicana Cemex é uma das três maiores fabricantes de cimento do mundo e na Venezuela figura como a maior fabricante de cimento, concreto e agregados (areia e taxa), enquanto Holcim e Lafarge representam quase os outros 50% da produção venezuelana de material.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, se queixou reiteradamente que os planos oficiais de construção de imóveis são atrasados pelo déficit de cimento no país.

O déficit de imóveis na Venezuela é de 1,8 milhão de unidades, segundo dados oficiais, e o "fracasso" das políticas oficiais no setor é um dos principais argumentos da oposição para assinalar a "ineficácia" do Governo "bolivariano".

Com a aquisição da indústria de cimento, dá-se mais um passo no multimilionário processo de aquisições por parte do Governo venezuelano, que, segundo estimativas de imprensa, gastou mais de US$ 10 bilhões.

Esse número representa em torno de um terço das reservas monetárias internacionais do país.

As nacionalizações se cumpriram, além disso, nos setores elétrico, alimentício, energético e telefônico, entre outros.

Chávez anunciou recentemente a adicional compra do Banco da Venezuela, pertencente ao grupo financeiro espanhol Santander, cujo valor, segundo os analistas, oscila entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,8 bilhão. EFE afs/db

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