RIO - Os projetos aprovados pela diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atingiram R$ 90,484 bilhões entre janeiro e outubro, valor 30% superior ao verificado em igual período do ano passado. Em 12 meses, as aprovações somaram R$ 119,633 bilhões, 33% acima do observado nos 12 meses imediatamente anteriores.

Entre janeiro e outubro, a indústria respondeu por 52% do total aprovado pelo banco, com R$ 47,187 bilhões. A infra-estrutura veio a seguir, com R$ 27,478 bilhões, enquanto comércio e serviços tiveram R$ 11,58 bilhões aprovados. A agropecuária contou com aprovações de R$ 4,238 bilhões.

Nos 12 meses encerrados em outubro, a indústria teve aprovados R$ 56,074 bilhões, 44% acima do observado nos 12 meses imediatamente anteriores, enquanto a infra-estrutura teve alta de 28%, para R$ 45,107 bilhões. A seguir vieram comércio e serviços, com alta de 23% e R$ 13,168 bilhões; e agropecuária, com crescimento de 1%, para R$ 5,284 bilhões.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ressaltou que, apesar de o crescimento da indústria ter sido maior entre as aprovações este ano, a tendência é de que os projetos de infra-estrutura garantam o crescimento da economia do país.

"Quando um projeto de infra-estrutura é aprovado, é difícil voltar atrás. A empresa que vence um leilão de uma usina, já vendeu a energia, o projeto tem que sair. No investimento da indústria pode haver desistência, embora não tenhamos verificado desistências depois do agravamento da crise internacional", frisou Coutinho.

O diretor de infra-estrutura do banco, Wagner Bittencourt, afirmou que diversas empresas têm procurado o banco para o desenvolvimento de projetos greenfield (novos) no setor de insumos básicos, cujos valores podem chegar a US$ 1,5 bilhão. "Teremos investimentos importantes em infra-estrutura", ressaltou Bittencourt.

Coutinho destacou que a crise não diminuiu o apetite dos empresários pelos recursos do banco de fomento, ao contrário do que sugeriria o quadro de crise internacional. Segundo ele, os enquadramentos de R$ 154,089 bilhões observados nos últimos 12 meses, dos quais R$ 12,797 bilhões em outubro, mostram que a demanda continua forte.

"O volume enquadrado é suficientemente alto para garantir um estoque alto de projetos para 2009", disse Coutinho, acrescentando que dificilmente teremos um volume desembolsado em 2009 menor que o deste ano.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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