Para um analista do BNP Paribas, a decisão pode causar uma venda de títulos do governo norte-americano

Economistas interpretaram o anúncio de flexibilização do yuan, feito neste sábado pelo BC da China, como um sinal de que, embora não se espere uma revalorização imediata, Pequim está preparada para retornar ao ritmo pré-crise de apreciação gradual da moeda chinesa em relação ao dólar. Para um analista do BNP Paribas, a decisão pode causar uma venda dos Treasuries, os títulos do governo norte-americano, na abertura dos mercados financeiros, na segunda-feira.

"Eu entendo que isto (o anúncio da China) significa que eles vão deixar de atrelar a moeda ao dólar", afirmou Wang Tao, economista do UBS Securities. Hoje, o Banco do Povo da China (PBoC), o BC chinês, informou que decidiu avançar com a reforma do regime cambial e fortalecer a flexibilidade do câmbio.

Na avaliação do estrategista de moedas do BNP Paribas, Sebastien Galy, os Treasuries provavelmente vão experimentar um movimento de vendas com a valorização do yuan, quando os participantes do mercado retornarem aos negócios na segunda-feira.

Galy cita três efeitos possíveis da valorização do yuan, sem citar o tamanho da apreciação para a moeda chinesa. O comunicado do PBoC não informa a magnitude da apreciação da moeda, mas um conselheiro do BC chinês estimou que a banda de negociação do yuan vai voltar para 0,5% ante o dólar, nível que havia sido adotado em 2005. Amanhã, o BC chinês deve divulgar detalhes sobre anúncio do yuan.

Para Galy, o primeiro efeito possível em reação ao anúncio chinês é uma queda na quantidade de Treasuries comprados pela China, e outros na Ásia. Em 2005, lembra ele, houve vendas acentuadas de Treasuries.

O segundo efeito é que, no médio prazo, as pressões deflacionárias nos EUA, e especialmente na Europa, em relação às pressões inflacionárias na China, irão se acalmar. Ele cita que pressão deflacionária está no centro da crise europeia. No entanto, uma questão central para a Europa continua sendo o financiamento, e menores compras de dívida europeia, uma vez que a valorização da moeda chinesa não ajuda a Grécia e outras economias periféricas na Europa. Contudo, continua o analista, mais exportações para a Ásia/China vão ajudar os exportadores europeus. Esta é uma ocorrência positiva para a tomada de risco no médio prazo, diz ele.

Em terceiro lugar, é alguma dificuldade limitada para as moedas atreladas a commodities na abertura dos mercados. Ele cita que commodities estavam sendo compradas nos mercados, diante da combinação de inflação global, aversão ao risco e crescimento da China. "O primeiro (destes três itens) vai se enfraquecer e o terceiro pode sofrer um impacto temporário", argumenta.

Stephen Green, economista-chefe do Standard Chartered Bank na China, também descarta uma apreciação conduzida de uma única vez. "Não se anuncia e depois se valoriza a moeda. Você valoriza a moeda e depois anuncia", observou.

Depois de anos atrelando o yuan ao dólar, Pequim valorizou a moeda em julho de 2005 e, então, permitiu que avançasse 21% ante o dólar ao longo dos três anos seguintes. As autoridades tornaram a atrelar a moeda chinesa ao dólar em cerca de 6,8300 yuans em julho de 2008, quando a recessão mundial começou a ser sentida na economia chinesa. As informações são da Dow Jones.

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