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Aposta no dólar já preocupa chineses

Os chineses têm razões de sobra para estarem preocupados com a crise americana, e elas não se resumem ao fato de os Estados Unidos serem o principal destino das exportações. Nos últimos cinco anos, os dois países desenvolveram uma relação de dependência na qual o excesso de poupança da China financiou a juros baixos a gastança dos consumidores americanos.

Agência Estado |

Como resultado, a China se tornou credora dos Estados Unidos numa bolada que alguns economistas estimam em US$ 1 trilhão, valor que supera o pacote de socorro financeiro proposto por Washington.

"As finanças dos Estados Unidos estão intimamente relacionadas às finanças da China. Se alguma coisa dá errado no setor financeiro dos Estados Unidos, nós ficamos ansiosos em relação à segurança e à garantia do capital chinês", declarou o primeiro-ministro do país, Wen Jiabao, em entrevista à rede de televisão CNN que foi ao ar nesta semana.

"É por isso que desde o início eu deixei claro que os problemas financeiros neste país não concernem apenas os interesses dos Estados Unidos, mas também os da China e os do restante do mundo", ressaltou.

O primeiro-ministro afirmou que a China está obviamente preocupada com a segurança de seus ativos, mas acredita que os Estados Unidos são um país com credibilidade, com o qual os chineses estão dispostos a colaborar em um momento difícil. Para o governo de Pequim, interessa não apenas ter garantias de que o dinheiro será recuperado, mas também evitar um cenário que leve ao derretimento do valor do dólar.

A China tem o maior volume de reservas internacionais do mundo - US$ 1,8 trilhão - e pelo menos dois terços dessa montanha de dinheiro está denominada na moeda americana. Sempre que o dólar perde valor, a China vê o poder de compra de suas reservas reduzido.

O rápido acúmulo de reservas internacionais pela China nesta década fez parte do movimento global de crescimento da poupança de países que são grandes exportadores de bens de consumo, de petróleo ou de commodities.

Antes de assumir a presidência do Federal Reserve, Ben Bernanke batizou esse processo de "saving glut" - excesso ou fartura de poupança - e disse que uma das razões para o crescimento do déficit externo dos Estados Unidos era a existência de países com capital de sobra dispostos a financiá-lo a baixo custo.

Entre todos, a China foi o que mais rapidamente ampliou sua exposição aos títulos do Tesouro americano, nos quais já investiu pelo menos US$ 500 bilhões. O governo de Pequim é hoje o segundo maior detentor dos papéis emitidos por Washington, mas em breve deverá ultrapassar o Japão e assumir a primeira posição.

A sobra de poupança na China e o excesso de consumo nos Estados Unidos são os dois pilares do que os economistas costumam chamar de "desequilíbrios" da economia mundial e estão na origem da crise atual.

Os criadores da teoria de "Bretton Woods 2" chegaram a sustentar que não se tratava de um desequilíbrio, mas de um novo equilíbrio internacional, que poderia se sustentar durante anos, com benefícios para ambas as partes.

Nesse modelo, haveria um acordo tácito entre países que mantêm sua moeda desvalorizada artificialmente e conseguem aumentar suas exportações, elevar seus superávits comerciais e acumular reservas - o que descreve à perfeição a China. Em troca, esses países compram títulos do Tesouro americano e financiam o déficit produzido em grande parte por suas vendas aos Estados Unidos.

A dúvida agora é saber que modelo vai prevalecer, depois que o consumo excessivo dos americanos se mostrou mais nocivo que os defensores da teoria de "Bretton Woods 2" imaginavam. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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