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Aposentadorias por decreto

Aos 65 anos, para seguir o estatuto da empresa, Márcio Cypriano vai deixar a presidência do Bradesco. Ele passará a integrar o conselho de administração do banco enquanto em seu lugar assumirá, em março, o vice-presidente executivo e presidente da Bradesco Seguros, Luiz Carlos Trabuco Cappi.

Agência Estado |

É cada vez mais comum que os estatutos das empresas exijam o afastamento de executivos a partir dos 60 ou 65 anos de idade. "A principal razão é a oxigenação da companhia, criando oportunidades para os mais novos ascenderem", explica Karin Parodi, sócia-diretora da Career Center, especializada em consultoria para planos de carreira. Segundo ela, os pedidos de orientação no "pós-carreira" praticamente dobram a cada ano no Brasil. "Essas pessoas têm um conhecimento valioso, que pode ser aproveitado."

Tornar-se integrante do conselho de administração da empresa, como no caso de Cypriano, ou de Nildemar Secches, da Perdigão - que deixou a presidência da empresa no ano passado e tornou-se presidente do conselho -, é uma das mais comuns. Em outros casos, o executivo continua atuando em projetos da empresa como consultor.

Satoshi Yokota, da Embraer, aposentou-se no fim do ano passado aos 67 anos, dois anos após o permitido pelo estatuto da empresa - porque teve a aprovação do conselho administrativo para ocupar seu cargo por mais tempo. "Agora, auxiliarei a empresa onde eu puder ser útil, mas não preciso ir todo dia", conta ele, que entrou para a Embraer em 1970 e nos últimos anos esteve à frente dos projetos com biocombustíveis, que deve continuar acompanhando como consultor. "Hoje não fui à empresa, por exemplo. Mas minha agenda anda lotada de compromissos, como passear com os netos", brinca. Além da consultoria, ele pensa em participar de conselhos e realizar atividades voluntárias.

"Aquelas pessoas que se afastam após ocuparem postos-chave em grandes corporações têm muita empregabilidade no mercado atual, mesmo tendo mais de 65 anos", diz o consultor da Michael Page Executive Search, Carlos Altona. "É importante que, na casa dos 40 anos, o profissional busque o máximo de qualificação e desafios para se destacar no mercado, porque só quem brilhar terá um pós-carreira garantido."
O diretor comercial da Copagaz, Amaro Helfstein, apesar de ter se aposentado, continua presente nas atividades diárias da companhia. "Aqui há vários casos de pessoas que continuam trabalhando, oficialmente ou como consultores", conta ele. "Mantemos quadros enxutos. Promoções ou cortes não são feitos por tempo e salário, mas sim por resultado."

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