Solo una política de software livre Por Rodrigo Martins Foz do Iguaçu, 12 (AE) - O sonho tropicalista de integrar a América Latina está de volta. Só que em vez de utilizar a música, como pretendiam Gilberto Gil e Caetano Veloso nos anos 60, o foco agora é o software livre.

Com um discurso político baseado nas proximidades culturais, lingüísticas e econômicas, comunidades que desenvolvem programas abertos ensaiam uma cooperação para pressionar os governos da região a resolver de forma integrada problemas comuns como exclusão digital, altos custos para a compra de softwares proprietários e desenvolvimento na área de tecnologia.

O evento Latinoware, que aconteceu no início de novembro em Foz do Iguaçu (PR), reuniu 4 mil estudantes e dezenas de comunidades de desenvolvimento para discutir os rumos do software livre no continente latino-americano.

Em um vai-e-vem por espremidos corredores e interagindo em "portunhol", os participantes lotaram uma dezena de salas localizadas na Usina Hidroelétrica Itaipu. Entre as palestras, que se realizaram em três dias, ecoavam as palavras integração, cooperação e troca de experiências.

Se até há pouco tempo os defensores do software livre tinham um discurso mais voltado para a condenação aos softwares proprietários, como o Windows, agora buscam participação política e falam em trabalhar com os governos. "Temos de aproveitar que falamos praticamente a mesma língua e temos problemas semelhantes. Devemos trocar experiências de sucesso, que possam ser replicadas", diz o pesquisador paraguaio José Alberto Vilalba Gonzales.

"Os governos latino-americanos não têm condições de comprar software. Até as administrações públicas, no Peru, chegam a usar 95% de programas piratas. A aposta em programas livres poderia difundir a internet e trazer desenvolvimento econômico à região", defende o coordenador da associação peruana Somoslibres.org, Daniel Sottomayor.

Ficou claro que a situação do software livre em cada país é muito diferente. Enquanto Brasil, Venezuela e Equador têm políticas públicas mais claras e comunidades mais atuantes de desenvolvedores, países como Argentina e Uruguai ainda estão no começo desse processo.

No Paraguai, as comunidades locais estão ajudando o governo a redigir um projeto de lei para levar o software livre para a administração pública. "A cooperação com outros países é primordial para não repetirmos os mesmos erros", opina Lilo Britos, do Projeto Software Livre Paraguai.

Algumas medidas concretas de integração já estão em curso. A numerosa comunidade brasileira de desenvolvedores do Fedora, uma variante do sistema operacional Linux, por exemplo, ajudará grupos de outros países, menos estruturados, a criar sites e listas de discussão para trocar experiências e sugestões. "A maioria dos Estados brasileiros já tem comunidades integradas e organizadas. Queremos levar isso a outros países para que, como aqui, a política de software livre seja uma só em toda a região", disse Rodrigo Pádua, um dos embaixadores do Fedora no Brasil.

As discussões também apontaram para a necessidade de criar um repositório de idéias e soluções, um site com experiências e programas que deram certo em outros países. "Uma solução que serviu ao Brasil pode servir também para a Venezuela, sem a necessidade de ser desenvolvida novamente", diz Octavio Tabal, da ONG venezuelana Glove. "Só é preciso que, antes de entrar nessa cooperação, os países se organizem, desenvolvendo suas comunidades e as políticas para a área." Para obter mais informações, visite o site http://2008.latinoware.org/.

O repórter viajou a Foz do Iguaçu a convite da organização do Latinoware

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.