O governador de São Paulo, José Serra, acredita que o Brasil não ficará imune à crise financeira aprofundada recentemente pela quebra de bancos americanos, que tem provocado estragos nas bolsas de valores do mundo todo. Mestre em Economia pela Universidade do Chile, que cursou nos anos 60 enquanto estava no exílio, ele diz que o País não será uma ilha de tranqüilidade num mundo de turbulência, apesar de reconhecer que a economia brasileira está melhor hoje do que estava em outras crises internacionais.

Numa crítica velada a membros do governo federal, Serra ressalta que não se pode ficar comemorando neste momento, "fingindo que não é com a gente". Ele assinou ontem protocolo com a montadora Hyundai, que prevê investimento de US$ 600 milhões na construção de uma fábrica em Piracicaba.

O senhor acredita que o Brasil será afetado pela crise financeira?

Sem dúvida, haverá impacto no Brasil. A economia está em melhor situação do que estava nas outras crises internacionais por um simples fato: como os preços dos produtos de exportação cresceram vertiginosamente nos últimos anos, o País acumulou mais reservas. Mas isso não significa que esteja imune à crise. O Brasil não é e não será uma ilha de tranqüilidade num mundo de turbulência.

Que impactos o senhor vê?

O País, a economia deverão ser afetados. O importante é que a gente faça prevenção e não fique comemorando, fingindo que não é com a gente. Porque efetivamente teremos problemas. Haverá uma contração do crédito, queda do preço de produtos de exportação e aumento da remessa de lucro das empresas multinacionais para cobrirem suas matrizes. E como nós temos um ponto fraco, que é o crescimento vertiginoso do déficit em conta corrente, temos ai um calcanhar-de-aquiles da nossa economia. E temos de tomar muito cuidado com ele.

Os investimentos serão afetados?

Não sei se os projetos em andamento serão afetados. Mas certamente investimentos novos serão feitos com mais cautela.

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