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Quando dá um foguinho, a casa balança toda

Jacinto Evaristo Costa, de 67 anos, ainda reluta em deixar a casa simples, herdada do pai, onde mora há 55 anos, na Vila Paciência, em Itabira (MG). Vontade não tenho, mas a mina está muito agarradinha.

Agência Estado |

Quando dá um foguinho (explosões), a casa balança toda, trinca tudo", reclama. Ele afirma que já recebeu oferta de R$ 120 mil da Vale pelo imóvel, de seis acanhados cômodos, e dois barracões nos fundos.

"É pouco demais", diz Costa, receoso de não encontrar outro local para morar. "Não pensei ainda para onde ir. Com essa história, o imóvel em Itabira encareceu muito. Todo mundo está de olho grande."

Vizinho de Costa, o comerciante Carlos Roberto Fernandes, de 50 anos, não tem do que reclamar. Há dois anos ele pagou R$ 72 mil por uma casa de 234 metros quadrados de área construída.

Recentemente, acertou com a Vale a venda do imóvel por R$ 285 mil. "Já comprei sabendo que um dia ou outro teriam de indenizar esse pessoal."

Outro relato comum entre os moradores é em relação às "nuvens de poeira" que costumam cobrir a região. "A poeira come toda a cidade, não podemos ter persiana, cortina...", disse uma moradora da Vila Paciência, que pediu para não ser identificada porque ainda negocia com a Vale. Na residência confortável da família, várias trincas estão visíveis.

"Nossa casa nunca esteve à venda, mas já não estamos nem ligando de ir embora. O terreno aqui está cedendo. Quando dinamita, tudo balança. Por isso não tem um quadro na parede."

Responsável por conduzir as negociações, o gerente de Planejamento e Aquisições da Vale, André Flores, afirma que o projeto surgiu de uma demanda da própria comunidade, embora moradores tenham sido surpreendidos com a notícia publicada na imprensa local em janeiro deste ano.

Segundo Flores, o projeto "não tem data para terminar". "É um processo de negociação amigável, é um processo privado, não existe nenhum instrumento judicial. Não forçamos essas aquisições."

Mas há quem se sinta obrigado a deixar a região. Elismar Dias Lage, de 30 anos, administra com o pai uma mercearia, conjugada com um açougue, na Vila Paciência. A venda da residência da família está sendo negociada com a mineradora, mas o comércio ficou de fora do projeto.

"Eu tinha plano de crescer, mas como vou investir na loja se a tendência é reduzir a clientela? Vou ter de começar do zero. Eu não tinha intenção de sair do bairro onde nasci, mas agora me sinto obrigado", diz Elismar Lage.

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