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Pressão para juro parar de subir é maior

A crise internacional já causou dois grandes estragos no Brasil: restrição do crédito e alta do dólar. Do ponto de vista da política monetária (taxa de juros), são dois efeitos opostos.

Agência Estado |

A redução do volume de empréstimos diminui a demanda, o que, em algum momento, leva para baixo a inflação. Em compensação, a desvalorização do real tem uma influência direta (de alta) nos preços. Calcula-se que cada 10% de perda da moeda brasileira produz uma elevação de 1 ponto porcentual na inflação ao consumidor. Por isso, há um debate entre analistas. Parte acha que o Banco Central (BC) terá de interromper o ciclo de alta do juro e talvez até tenha de iniciar um processo de queda. Outros crêem que a Selic terá de subir ainda mais. O professor da PUC-RJ e economista da Opus Gestão de Recursos, José Márcio Camargo, ainda acredita que a Selic subirá mais 0,5 ponto porcentual, para 14,25% ao ano. Mas pára por aí.

O cenário atual terá impacto sobre a tendência para a taxa básica de juros (Selic) no Brasil?

É difícil responder a essa pergunta neste momento. Hoje, há duas coisas importantes acontecendo. A primeira é uma restrição de crédito importante, principalmente para pessoa jurídica, menos para pessoa física. Isso deve fazer com que a demanda caia em algum momento. De outro lado, os dados de nível de atividade continuam vindo muito fortes. Do lado do setor real, acho que muda pouco a avaliação da política econômica. Pelo lado das notícias de jornal e das informações veiculadas nos últimos dias - e também porque sabemos que efetivamente haverá uma restrição de crédito - , podemos imaginar que pode haver menos aperto monetário do que se esperava atrás. Isso pode significar mais um aumento de meio ponto porcentual e aí pára, mais dois aumentos de meio e uma parada ou até mesmo uma parada já na próxima reunião (do Copom, nos dias 28 e 29 de outubro). Mas há outro ponto fundamental a considerar: a desvalorização cambial, que chega a 40% nos últimos dois meses. Uma desvalorização cambial dessa ordem vai produzir um repasse para preço da ordem de 3,5 a 4 pontos porcentuais. O problema adicional é que, quanto maior é a demanda, maior é o repasse para os preços. O BC certamente estará preocupado com isso.

A redução coordenada do juro por diversos países, na quarta-feira, muda algo para o BC brasileiro?

Politicamente, aumenta a pressão para o BC parar de aumentar o juro. Mas tecnicamente não afeta. A decisão do BC brasileiro está muito calcada no que ocorre no Brasil, onde o crescimento da demanda tem sido muito superior ao crescimento da oferta. Isso tem elevado o déficit em conta corrente. Dada a crise internacional, a capacidade de financiar o déficit em conta corrente está diminuindo. Tudo isso tem de estar na cabeça do BC na hora de tomar suas decisões.

O sr. diz que os dados mostram atividade muito forte. Mas o BC não olha para frente?

Você tem razão. O BC vai olhar para frente para ver se a política monetária precisa ser mais apertada ou não. O ponto a avaliar é o seguinte: será que a redução do crédito será suficiente para reduzir a demanda interna a ponto de gerar um resultado de conta corrente financiável sem produzir inflação? Outra questão importante é que hoje há um exagero na desvalorização cambial, que deriva das incertezas acerca do cenário global. Isso significa que é provável que a taxa de câmbio voltará um pouco lá na frente. Ou seja, o repasse para a inflação presente seria menor. De qualquer forma, não creio que a taxa de câmbio voltará aos níveis de R$ 1,50, R$ 1,60, R$ 1,70. Dificilmente o dólar cairá abaixo de R$ 2 em um futuro próximo. Como o dólar estava em R$ 1,55, isso significa uma desvalorização cambial de 35% a 40%. Isso "encomenda" uma inflação da ordem de 2 a 3 pontos porcentuais para o ano seguinte. É muita inflação para quem tem uma meta de 4,5%.

Alguns analistas dizem que a queda de preços das commodities pode compensar, em alguma medida, a desvalorização do real do ponto de vista da inflação. Qual das duas forças é maior no momento?

Neste momento, a desvalorização é muito maior do que a queda dos preços das commodities. Se a desvalorização voltar um pouco, como eu acredito que vai acontecer, é possível que se estabilize em um nível que compense a queda de preço das commodities.

Se o sr. tivesse de cravar, neste momento, uma projeção para a taxa básica de juros em dezembro, qual seria?

14,25%, ou seja, acredito que haverá mais uma alta de 0,50 ponto porcentual. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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