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O golpe saiu pela culatra

A União Européia é como os bancos: ressuscita à noite, agoniza na manhã seguinte, recupera-se ao meio-dia, para desmaiar ao entardecer. Foi o que aconteceu no último fiml de semana.

Agência Estado |

No sábado à tarde, os quatro grandes da União Européia (França, Alemanha, Grã-Bretanha e Itália), reunidos em Paris sob a liderança de Nicolas Sarkozy (evidentemente), congratularam-se por ter conseguido debelar de um golpe a desgraça.

De que modo? Simplesmente elaboraram um plano. Não o plano preparado por Sarkozy, um outro. Todos vibraram. A Europa foi dormir feliz. Mas o despertar foi péssimo.

Durante todo o domingo, a chanceler Angela Merkel e seu ministro das Finanças, Peer Steinbrück, batalharam para impedir que o banco Hypo Real Estate de Munique, o quarto banco do país em ativos, despencasse no abismo. Angela estava furiosa. Já salvara o Hypo na semana anterior, mas o banco havia apresentado dados falsos: precisava de 50 bilhões e não de 35 bilhões, como havia afirmado antes. Na noite de domingo, o Hypo acabou sendo resgatado no último segundo.

Ontem pela manhã, foi a vez de os vizinhos da Alemanha se enfurecerem contra Merkel. Ocorre que no sábado, a própria Merkel afundou o plano proposto por Sarkozy para restabelecer a confiança da Europa em seus bancos.

O plano de Sarkozy era simplista, mas correto: diante das ameaças de desastres em série, Sarkozy propunha copiar o plano americano de Henry Paulson. Sarkozy, europeu coerente, achava que a Europa dos 27 deveria usar um Tesouro de guerra de 300 bilhões para fazer frente às turbulências.

Era esse o projeto que Sarkozy queria que fosse adotado no sábado. Mas Merkel e o inglês Gordon Brown não concordaram. Na opinião deles, cada país deve se arranjar por conta própria. Mas, para que a Europa, então? "Bom, pois é, a Europa", disse Angela, "ocorre que os contribuintes alemães não têm motivo algum para pôr a mão no bolso para salvar um banco, de um paisinho europeu mal administrado".

A rude recusa de Merkel e de Brown foi um golpe certeiro para a UE. A lição foi a seguinte: a União é perfeita, quando tudo corre bem, mas, quando começa o desastre, "cada um por si"! Nada de se afogar por causa de uma República Checa, de uma Grécia. Sarkozy então voltou a engavetar seu plano, com uma ruga de amargura no rosto.

A infelicidade de Brown e de Merkel, além de constituir uma falta cínica de solidariedade para com os outros europeus, foi que "o golpe saiu pela culatra". Não era um banco de um país pobre que estava prestes a falir. Por desgraça, o país era a Alemanha, o país poderoso, forte, que prefere que cada um se vire por conta própria. Ontem de manhã, Merkel, que teve de desembolsar bilhões sozinha para salvar o Hypo, deve ter mordido a própria língua.

O folhetim bancário europeu continua. Ontem, houve a reunião dos 27 ministros europeus das Finanças no Luxemburgo, hoje, uma Cúpula dos 27. Será possível que os 27 tenham sucesso onde os 4 falharam, ou seja, a criação de uma "frente comum" de todos os europeus? Dependerá em grande parte de Merkel. Oficialmente, ela não virá com "a corda no pescoço". Deverá persistir, nada de soluções definitivas: "Os que fizeram negócios irresponsáveis terão de prestar contas", reiterou no domingo à noite.

Mas nos bastidores, a conversa foi outra. Sarkozy, escaldado pela derrota de sua primeira e razoável iniciativa, manteve atitude reservada. Mas Silvio Berlusconi tomou as rédeas da discussão: foi logo colocando sobre a mesa um plano de salvamento pelo qual a UE criaria um fundo comum equivalente a 3% do Produto Interno Bruto. Segundo o italiano, Angela Merkel agora deverá mostrar-se mais dócil.

Os próximos dias serão dramáticos. Duas paisagens correm o risco de sair desfiguradas ou rejuvenescidas: o sistema bancário europeu, que conseguirá se salvar ou perecer, de um lado. Do outro, a UE que terá de decidir entre as visões "nacionais" da Inglaterra ou da Alemanha, e a visão de uma Europa mais integrada, defendida por um Sarkozy, um Berlusconi, um Zapatero, etc. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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