Depois de acertar a união da Votorantim Celulose e Papel (VCP) com a Aracruz, formando um grupo gigante de celulose, os sócios já começam a pensar no próximo passo. O jogo está começando, disse ontem José Roberto Ermírio de Moraes, presidente da Votorantim Industrial e membro do Conselho de Administração da Votorantim Participações, durante uma entrevista sobre a criação da Nova Aracruz ou Nova VCP, como a empresa vem sendo chamada informalmente entre pessoas ligadas ao negócio.

"A empresa vai adquirir uma musculatura tal que poderá ficar bastante ativa quanto a oportunidades no mercado internacional."

Por enquanto, não há nenhum negócio em vista, continuou, mas poderão surgir oportunidades. A produção de celulose está dispersa em um número grande de empresas. Há também uma crescente migração dos fabricantes do Hemisfério Norte, onde os custos de produção são mais altos, para o Sul. Só os projetos de investimentos já aprovados da VCP e da Aracruz garantem um crescimento da produção de 4,5 milhões de toneladas por ano para 7 milhões de toneladas até 2010. Outros projetos, que dependem da situação da economia mundial, elevariam a capacidade para 13 milhões de toneladas. "Já somos consolidadores."

A perspectiva de ampliar a participação ou as compras internacionais entraram na agenda do grupo, e não só em papel e celulose. Em outubro, o Votorantim concluirá seu plano de investimentos para os próximos três a quatro anos. No plano que está em curso, as prioridades foram os investimentos em crescimento orgânico, no valor recorde de R$ 25 bilhões até 2010. Agora, a crise financeira internacional abateu o preço das companhias e pode favorecer a expansão para outros países. "A crise pode trazer os valores dos ativos a patamares mais realistas e abrir oportunidades de se fazer aquisições em patamares aceitáveis", continuou.

Os setores prioritários para a Votorantim são papel e celulose, laranja, metais e cimento. Em cimento, além de ampliar os investimentos nos EUA, o grupo estuda investir na Índia. "Na Ásia, todo mundo olha para a Índia e a China. Temos um pouco mais de interesse na Índia porque a China já atingiu uma grande escala de produção e de necessidade de capital. A Índia está um pouquinho atrás", disse.

Um dos principais responsáveis pela decisão do grupo de criar a VCP, há 20 anos, José Roberto não descartou a possibilidade de investir mais na produção de papel, como no início da empresa. Hoje, 90% da produção está concentrada em celulose. "Às vezes, a vida é um pêndulo: vai para um lado, vai para o outro", disse, abrindo o primeiro jornal interno da VCP, com as fotos das fábricas de papel. "Já vendemos quase tudo", continuou, mostrando foto por foto. "Tínhamos Mogi... foi vendida; Votocel, vendida; Pedras Brancas, vendida; Salto, vendida; Luiz Antônio, entrou na troca de ativos com a IP. Só sobraram as fábricas de Piracicaba e Jacareí."

Já em celulose de fibra curta, a mais produtiva do mercado, o grupo tornou-se o líder mundial. "Começamos (em papel e celulose) na década de 80, quando havia o risco hiperinflacionário iminente. Precisávamos fazer alguma coisa porque a corrosão do patrimônio estava por vir. Consultei o seu (Erling) Lorentzen (criador da Aracruz), que apesar de ser concorrente me encorajou muito a entrar no setor", contou. "Parecia impossível na época, para os new comers, nós e os Safra, mas hoje estamos consolidando um dos setores mais competitivos da indústria nacional."

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