Nerdstock cresce, mas problemas também Por Rodrigo Martins e Juliana Rocha São Paulo, 28 (AE) - A Campus Party sofreu com seu próprio crescimento. De 2008 para 2009 a área do evento saltou de 18 mil para 38 mil metros quadrados, e os problemas de organização aumentaram na mesma proporção.

Internet lenta, chuveiros com água fria, falta de isolamento acústico e falhas na segurança - que levaram a um furto - foram queixas repetidas à exaustão pelos campuseiros.

FURTO DE NOTEBOOK - A regra de segurança do evento era etiquetar cada micro com o número de identidade do campuseiro. Para alguém sair com um PC ou notebook, os seguranças deveriam confirmar se o número de documento do participante batia com o da máquina.

Mas, segundo relatos, eles não revistavam todos os que entravam e saíam da área dos computadores. "Muitas vezes apenas perguntavam se você estava com um notebook na mochila. Se dissesse que não, eles deixavam passar", diz o contador Thiago Marangon, de 21 anos, que teve seu notebook furtado.

Segundo a organização, foi o único caso no evento.

Na terça, após deixar seu Asus eeePC na bancada por uma hora para ir jantar, Thiago foi surpreendido com o sumiço da máquina. "Reclamei com a organização no mesmo dia. Eles me disseram que encontrariam o notebook ou me dariam um novo, mas até agora nada", disse na sexta-feira (23).

Outra crítica frequente foi a de falta de isolamento acústico. O evento teve 13 palcos, onde aconteciam palestras simultâneas. O problema é que um ficava muito próximo ao outro. Assim, palestrantes brigavam para ver quem falava mais alto. O barulho era bem superior ao registrado em 2008.

Depois das 23h, quando começava a balada, quem não quisesse participar era obrigado a desencanar de ouvir qualquer outro som, mesmo no fone de ouvido. Até mesmo para dormir era difícil, já que as barracas ficavam atrás do palco dos shows, sem isolamento. "No ano passado, as barracas ficavam em outro andar e o barulho não chegava", lembra o técnico em eletrônica Ricardo Poppi, de 30 anos.

Na hora do banho, as reclamações continuaram. Foi opinião unânime que os chuveiros melhoraram em 2009. Tinham portas e estavam mais limpos. Só que a água estava fria. "Tomei banho nos dois primeiros dias, mas ontem desencanei. Estava muito frio", assumiu o estudante Arlindo Pereira, de 20 anos.

E A CONEXÃO? - E a internet, a grande estrela da Campus Party? A organização prometeu uma conexão de 10 gigabits por segundo (Gbps), que, no entanto, é dividida por todos os que estão conectados à rede em determinado momento. Nos testes, foi possível se conectar a 2 megabits por segundo (Mbps), com uma velocidade de download de até 400 kilobytes por segundo (KB/s). Cada 1 Gbps corresponde a 1 mil Mbps.

"No ano passado eu fazia downloads a até 3,8 megabytes por segundo (MB/s). Neste ano não passei de 500 kilobytes por segundo (KB/s)", conta o estudante Reginaldo Biondo Jr., de 17 anos - 1 MB/s corresponde a cerca de 1.000 KB/s. Se ele estiver certo, sua taxa de transferência estaria quase oito vezes menor.

Na terça-feira (20), primeiro dia inteiro do evento, também houve instabilidade e queda de conexão
OUTRO LADO - O diretor da Campus Party Brasil, Marcelo Branco, reconheceu que houve problemas, mas disse que foram pontuais.

Segundo ele, a internet caiu na terça-feira porque os campuseiros pisavam nos cabos de fibra óptica. Quanto ao barulho, ele disse que "isso é normal".

Em relação às falhas de segurança e à denúncia de furto, Branco afirmou que organização estaria investigando.

Segundo Branco, os boatos de que a próxima Campus Party será no Rio não são verdadeiros. Ele confirmou a realização das duas próximas edições - em 2010 e 2011 - no mesmo Centro Imigrantes.

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