O anúncio da construção da fábrica da Hyundai ocorre sem que a Procuradoria-Geral da Fazenda tenha resolvido o problema de uma dívida deixada nos anos 90 pela Asia Motors do Brasil, empresa que, à época, tinha como acionista principal a Asia Motors da Coréia, que depois foi adquirida pela Kia Motors Corporation e, mais tarde, pela Hyundai. A dívida beira R$ 1,6 bilhão.

"Só decidimos fazer o investimento depois de nos certificarmos de que a Hyundai não tem nenhuma responsabilidade sobre essa dívida", disse In Seo Kim, vice-presidente da montadora. "A Kia é uma empresa-irmã, mas não somos a mesma empresa." Segundo ele, o assunto está nas mãos da Justiça brasileira.

"Nossa companhia levou em consideração que o governo brasileiro, a Justiça e o Legislativo são sérios e vão resolver o problema da melhor forma, mas temos certeza de nossa isenção." A Hyundai é assessorada pelo escritório Tozzini Freire, que acompanha o processo de instalação da fábrica.

A multa teve origem quando a Asia Motors do Brasil - que tinha 51% das ações nas mãos da Asia da Coréia e 49% com dois sócios brasileiros e um coreano - inscreveu-se no Regime Automotivo e prometeu construir uma fábrica na Bahia.

Com isso, importou mais de 70 mil carros com abatimento de impostos. Mas o projeto fracassou. A Asia foi incorporada à Kia, adquirida pela Hyundai em 1998. Hoje, o sócio coreano da Asia, Chong Jin Jeon, está preso na Polícia Federal, aguardando extradição pedida pelo governo da Coréia, que o acusa de ter praticado fraude. Ele alega inocência e pede para ficar no Brasil, onde tem esposa e 3 filhas.

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