Com a escassez de crédito no mercado financeiro, o Banco do Brasil (BB) está reforçando o financiamento de capital de giro das empresas. O presidente da instituição, Antonio Lima Neto, disse que esse reforço é necessário porque o segundo semestre é importante na formação de estoques para as vendas de fim de ano.

Ele assegurou que o banco fará o "possível e o impossível" para não faltar crédito ao comércio exterior. O Programa de Financiamento das Exportações (Proex) está sendo reforçado.

Lima Neto também afirmou que os agricultores não precisam temer o esgotamento de crédito para a safra agrícola. "A ordem do governo é manter as linhas de custeio para a nova safra, atendendo a todos e da melhor maneira possível."

Nesta entrevista ao Estado, ele disse que, diante da escassez de crédito internacional, o BB tem atuado em três frentes: irrigar as linhas externas, reforçar as linhas de capital de giro e garantir o crédito rural.

Como o BB está atuando diante da crise e da escassez de crédito?

O Banco do Brasil, por ser o líder em crédito no País, com mais de R$ 200 bilhões, vem adotando um comportamento racional. Ele não pode permitir a paralisia no crédito, o que traria um risco para a sua própria carteira. Diante disso, estamos agindo prioritariamente em três frentes. A primeira é a manutenção do fluxo de financiamento para a exportação, que é importante para a economia brasileira. A segunda é a agricultura - o BB é líder no financiamento do setor. Estamos irrigando o financiamento para suportar a nova safra, o que é fundamental para que o agricultor continue com boa perspectiva de renda e ajude a economia brasileira a se blindar contra um possível repique inflacionário. Para nós, é muito importante ter uma excelente safra 2008/09. A terceira frente é continuar sendo importante fonte de capital de giro para as empresas, dado que o segundo semestre é um período importante para formação dos estoques para fim de ano.

O BB está reforçando as linhas para capital de giro?

Nós estamos reforçando as linhas de capital de giro para manter os negócios de curto prazo funcionando nas empresas, que é, basicamente, compra e industrialização de matéria-prima, pagamento de salários, financiamento de estoques de produtos acabados, financiamento das vendas por meio das linhas de recebíveis. Esse reforço nas linhas de capital de giro mantém, digamos assim, a economia funcionando nas suas transações empresariais e comerciais.

A demanda por financiamento do BB aumentou porque outros bancos diminuíram o crédito?

A demanda está maior no BB e nós estamos fazendo um esforço para manter essas linhas ativas e estamos conseguindo com funding interno. A nossa captação é de varejo, muito forte e sólida e espalhada pelo País todo. Isso nos fortalece e aumenta a nossa competitividade e, por isso, temos a capacidade de continuar muito presentes no crédito para capital de giro.

Os agricultores estão preocupados com o risco de faltar crédito e batem na porta do BB antes mesmo de precisar. Pode faltar dinheiro mais à frente?

Os agricultores não precisam temer o esgotamento de recursos. O presidente Lula colocou muito bem que vai suportar o crédito para a safra 2008/2009. O BB está atendendo a todos. O crédito não tem faltado. É claro que isso traz maior exigência de capacidade operacional e aí eu peço compreensão neste momento com o processamento das propostas. Mas não precisa ter pânico e correr até o banco para ter crédito rural temendo que os recursos vão acabar. Os recursos não vão acabar. A ordem do governo é manter as linhas de custeio para a nova safra atendendo a todos e da melhor maneira possível.

O banco está antecipando a liberação de um recurso que teria de sair até o meio do ano que vem. Isso não traz risco de faltar dinheiro?

O quadro atual não caracteriza uma briga por um lugar na fila. Mas alguns agentes saíram do financiamento ou diminuíram drasticamente o financiamento, como é o caso de bancos estrangeiros. Havia bancos estrangeiros que atuavam em alguns nichos do agronegócio. Eles e as tradings diminuíram a presença no financiamento do comércio exterior. Com isso a demanda vai para o setor financeiro convencional, em particular, o Banco do Brasil. Nós estamos antecipando recursos orçamentários que esperávamos gastar mais na frente, por conta de aumento de demanda, mas isso não significa que mais para frente vão faltar recursos, em hipótese nenhuma. Nós estamos aumentando o volume de recursos e não vai faltar para ninguém.

Para não faltar dinheiro para a safrinha do ano que vem, a saída é mexer na exigibilidade para o crédito rural e reduzir o compulsório dos bancos?

A mensagem que o governo tem dado é que tomará toda e qualquer atitude necessária para manter os recursos para a agricultura. Para a safra de verão, que estamos em pleno financiamento, e para a safra de inverno.

O BB vai reforçar o Proex?

O Proex já está sendo reforçado. No terceiro trimestre deste ano, nós já aumentamos.

Quando as linhas externas vão se regularizar?

Não existe previsão. A crise lá fora é de grandes proporções. Não há como dizer quando as linhas voltarão a se normalizar. Daí, o papel do banco é irrigar as linhas de comércio exterior para que não faltem. Não há esse risco. Faremos o possível e o impossível para que não faltem recursos para o financiamento do comércio exterior. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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