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Governos devem ouvir cidadão antes, diz especialista

Governos devem ouvir cidadão antes, diz especialista Por Rodrigo Martins São Paulo, 29 (AE) - É preciso ensinar as pessoas, conectá-las e ouvir o que elas querem. Responsável pela divisão de Desenvolvimento em Administração Pública da Organização das Nações Unidas (ONU), Haiyan Qian, articula e cobra políticas de governo eletrônico de países do mundo todo.

Agência Estado |

Em entrevista, ela diz que o Brasil precisa melhorar a inclusão digital e ensinar as pessoas a usarem os serviços públicos na web.

No início do ano, o novo ranking da ONU de governo eletrônico colocou o Brasil em 45º, 12 posições abaixo do anterior, de 2005. Por quê?
HAIYAN QIAN - É importante salientar que a nosso estudo é com relação aos serviços prestados ao cidadão pela internet e só analisamos os sites dos governos federais. O Brasil é um dos principais na área. Mas, além do site em si, levamos também em conta a infra-estrutura de acesso e a inclusão digital. Há duas razões para o País ter caído: primeiro, vocês se desenvolveram, mas os outros países foram mais rápidos; segundo, o problema do Brasil é a infra-estrutura e a inclusão digital.

A falta de acesso é o maior desafio do Brasil em governo eletrônico?
HAIYAN QIAN -Sim. É preciso acabar com a divisão digital. Fazer com que toda a população, mesmo em lugares remotos, tenha celular. O governo eletrônico pode ser pelo telefone. Hoje, os serviços são muito para a internet. Se não tiver, não acessa. Pelo celular, resolveríamos a questão das áreas muito remotas ou pobres.

A internet pelo celular, porém, é cara no Brasil. Sempre pedimos aos governos para reduzir o preço da conexão. Notamos que, quanto menos desenvolvido é o país, mais caro o acesso é. Quanto mais avançado, mais barato. Não é certo nem justo.

Por que o governo eletrônico é importante?
HAIYAN QIAN -Há muitas razões: uma delas é aumentar a eficiência. Quando você tem um serviço online, economiza muito tempo. Depois, ganha em transparência, pois muitas coisas ficam claras para o cidadão. Se as pessoas tiverem acesso à rede e usarem os serviços, o "e-gov" aumenta a transparência. Sabemos que licitações são coisas que podem trazer corrupção. Mas quando você coloca isso online, mostra quem ganhou, como foi, quem avaliou e por que determinada empresa foi escolhida, todo esse processo pode ser monitorado pelos cidadãos. Isso acarreta uma mudança de atitude por parte do governo e a forma como ele faz negócios com recursos públicos. O governo eletrônico ajuda tanto a melhorar o governo quanto a confiança entre o governo e os cidadãos.

Aqui no Brasil, as grandes cidades têm centros públicos de acesso gratuitos e lan houses que custam entre R$ 1 e R$ 2 a hora. Por mais que tenham acesso à internet, muitas pessoas não utilizam e não sabem o que é governo eletrônico. Como resolver esse problema?
HAIYAN QIAN -Discutimos isso na ONU. Você não pode só lançar um site. Mais do que isso, precisa ensinar os cidadãos. Primeiro você tem de apresentar o serviço à população, depois ensiná-la a usá-lo e, por fim, perguntar o que estão achando dele. Mais importante ainda é que, antes ainda de colocar esse serviço no ar, os cidadãos sejam devidamente consultados: o que vocês querem? Devem estar disponíveis todos os serviços que os cidadãos precisarem. Muitos países não perguntam antes. Por causa disso, o uso de governo eletrônico hoje é muito baixo e vemos cerca de 50% dos projetos falharem.

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