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O resgate da Fannie Mae e Freddie Mac, gigantes da hipoteca dos EUA, pode custar US$ 100 bilhões ao contribuinte americano, mas o governo não tinha opção, diz Dean Baker, co-diretor do Center for Economic and Policy Research. Como o sr.

avalia o pacote para resgatar a Fannie e a Freddie?

Dado que estamos em uma situação complicada e deixar a Fannie e a Freddie quebrarem estava fora de cogitação, o resgate é uma boa idéia. Se o problema continuasse se deteriorando, a situação do mercado imobiliário ia piorar e os juros das hipotecas aumentariam.

Por que chegou a esse ponto, se muitos observadores alertavam que as duas empresas estavam ficando grandes demais e que tinham poucas reservas de capital?

Fannie e Freddie sofreram por causa da falta de regulamentação, um problema que atingiu todo o mercado imobiliário. Veja por exemplo a concessão de empréstimos para pessoas que não tinham condições de pagar. O grande problema é que o governo deixou a bolha imobiliária crescer e se transformar em um monstro. Em 2002 já era óbvio que tínhamos uma bolha.

Quanto vai custar esse resgate?

O governo fala em US$ 25 bilhões, o que eu acho otimista demais. Se eles garantem mais de US$ 5 trilhões em dívidas, não é pouco provável que tenham perdas de 3% ou 4%. William Poole (ex-diretor do Fed em St Louis) fala que o governo vai arcar com uma conta de uns US$ 300 bilhões, que considero exagerado. Nossos cálculos ficam mais para US$ 100 bilhões, mas sempre é um tiro no escuro.

Qual é o efeito dessa despesa sobre o déficit dos Estados Unidos?

O déficit será de cerca de US$ 400 bilhões este ano, então é claro que US$ 100 bilhões serão um grande impacto. Mas este dinheiro já estava perdido. Foi perdido quando fizeram empréstimos para pessoas que não podiam pagar e Fannie e Freddie compraram os papéis desses empréstimos.

Quem perdeu com o resgate?

Os acionistas da Freddie e Fannie, que tiveram o valor de suas ações diluído (eram ações sobre 100% das empresas, passaram a ser sobre 20%, já que o governo assumiu 80%). Grandes ganhadores foram os compradores de títulos garantidos pela Fannie e Freddie, que se arriscavam a tomar um calote, embora sempre houvesse a expectativa de que o governo americano interviria. Mas os mutuários também se beneficiam, porque o socorro garante a manutenção de taxas de juros razoavelmente baixas nas hipotecas. O governo fez o que precisava ser feito.

É o começo do fim da crise?

Ainda temos um longo caminho a percorrer. Os estoques de casas não vendidas estão altíssimos. Pelo menos agora os mercados financeiros vão funcionar melhor. Não haveria uma recuperação sem esse socorro.