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Daqui a uma hora, se variar o dólar o preço é outro

O garoto Vinícius, de 10 anos, desconhece o que é cotação do dólar, crise financeira, desvalorização do real. E pediu um videogame novo no Dia da Criança.

Agência Estado |

"A tela vai ficar forrada de zumbis. A missão é resgatar os sobreviventes."O pai, Pedro, aceitou a missão e foi atrás do Nintendo Wii nos grandes magazines. Desistiu. O preço estava exorbitante. Resolveu comprar na Rua Santa Ifigênia, no centro de São Paulo, e foi surpreendido pela crise.

O console é pago em real, mas o preço segue a cotação do dólar do momento, e no paralelo, que chegou ontem a R$ 2,85. "Você compra agora e leva por R$ 1.600. Daqui a uma hora, se variar o dólar, o preço é outro", disse o vendedor. O preço é surpresa. Depende da cotação naquele instante.

Na semana passada, antes de o turbilhão ter tomado os mercados internacionais e a economia ter se transformado num zumbi, o videogame na Santa Ifigênia custava cerca de R$ 1.300, completo. Num grande magazine, o oficial saia por R$ 1.799. Hoje, os preços estão equivalentes.

Do outro lado do Atlântico, em Lisboa, a crise também atinge os bolsos de brasileiros. Carlos Eduardo de Aquino Galiano, de 21 anos, faz Engenharia Naval da Universidade de São Paulo. Está em Lisboa desde 8 de setembro, onde participa de um curso de aprimoramento. A programação vai até julho de 2009. "Mas com o euro a R$ 3,34 pensei em voltar. Conversei com meu pai e falei para ele parar de me mandar dinheiro. Ele disse para não me preocupar. Penso em procurar emprego." Semanalmente, o estudante gasta cerca de 130, incluindo o aluguel de uma casa, que divide com outras três pessoas.

A montanha-russa da cotação do dólar e desvalorização do real é uma situação já vivenciada pela professora Angela Maria Zeuli Sanches Rio em 1986, com o Plano Collor. Há 22 anos, Angela construía uma casa e resolveu paralisar a obra para esperar o que iria acontecer. Hoje, ela corre para fechar os orçamentos já levantados para reformar um apartamento adquirido recentemente. "Naquela época eu parei e me dei mal. Você não encontrava o material de construção que queria. Não tinha opção. Agora resolvi comprar tudo e acertar os serviços que já tinha orçado. Já fechei com o pedreiro, eletricista, encanador, raspador de tacos, só falta o gesseiro. Não espero nada de bom na economia. Ainda tenho trauma do Plano Collor."

Já o médico Rogério Borges Azevedo, que comprou um apartamento novo em abril e se prepara para pegar as chaves em fevereiro de 2009, quando terá de assinar contrato de financiamento, resolveu não fazer o acabamento do imóvel até que a situação da economia brasileira esteja estabilizada. "Vou esperar a poeira baixar, estou perdendo o sono. Antes dessa desvalorização, tinha dinheiro na bolsa de valores. Sorte que meu pai precisou de um empréstimo e eu saquei tudo, senão teria perdido dinheiro." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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