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Crise ainda dura um ano e meio

A crise financeira deve desacelerar a economia mundial por um ano e meio, mesmo com o pacote de medidas que está em discussão no Congresso americano. Mas, em dois ou três meses, a situação do crédito pode se normalizar.

Agência Estado |

As previsões foram feitas pelo vice-presidente executivo do Banco Itaú e ex-diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Sérgio Werlang, em entrevista à Agência Estado.

Para ele, quando o aperto de crédito cessar, o câmbio deve retomar a valorização do real. Quando isso acontecer, a Bovespa "terá alguma recuperação", mas não aos níveis anteriores, por causa da desaceleração mundial. Por outro lado, o menor crescimento econômico do mundo deve significar menor demanda por commodities e redução do avanço das exportações. "Isso tem impacto na diminuição da pressão de demanda. Não tenho a conta pronta, mas isso pode significar que o Banco Central não tenha que subir os juros tanto quanto se estava imaginando."

As medidas do pacote de US$ 700 bilhões resolvem?

Não posso responder com certeza. Da maneira como foi exposto, é um excelente passo na direção de resolver quase totalmente o aperto de liquidez. O ponto é que pode ser que não seja suficiente, não sei o que vai ser aprovado pelo Congresso americano.

O que pode ser feito?

Se a empresa que vai gerir os créditos mais problemáticos não for suficiente, o governo americano poderia dar um subsídio diretamente ao mutuário. Um grupo razoável de pessoas que tomou empréstimo imobiliário está com a casa abaixo do valor do empréstimo e, historicamente, nos Estados Unidos, quando isso acontece, as pessoas devolvem a casa. Seria uma grande vantagem porque as pessoas ficariam com os imóveis. Se forem se desfazer das casas, o preço vai se deprimir mais. Do contrário, no médio prazo, o preço pode até subir de novo.

Que efeitos o senhor vê da crise?

Algum impacto sobre a economia americana vai ter. A não ser que seja resolvido, até o fim de semana, 100% e pronto, que eu acredito que é uma probabilidade baixa. Acho que vai melhorar muito até o fim de semana. Mas acredito que os resultados da crise nos EUA vão ser sentidos por um bom tempo.

Por quanto tempo?

Acho que por um ano e meio. Estávamos projetando 1,3% para crescimento dos EUA no ano que vem. Nossa expectativa agora é que cresça mais próximo de zero, talvez um pouquinho positivo. Isso vai ter como conseqüência um crescimento menor do mundo, que vai demandar menos commodities, com crescimento menor de nossas exportações. Isso tem impacto na diminuição da pressão de demanda e, não tenho a conta pronta, mas pode significar que o BC não tenha de subir os juros tanto quanto se estava imaginando.

Seria um ciclo mais curto de alta?

Seria um ciclo mais curto. Acho que o PIB do Brasil vai crescer em 2009 o que já ia crescer mesmo, de 3% a 3,5%.

E qual a expectativa para o dólar?

Acredito que o real vai voltar a se valorizar um pouco. O nível de R$ 1,65 a R$ 1,70 não me surpreenderia a médio prazo, quando a situação se acalmar de forma mais definitiva nos mercados internacionais de crédito, daqui a uns dois ou três meses.

Reforçar o caixa do BNDES para manter crédito ao investimento é positivo?

Esse ajuste da demanda via menor crescimento do investimento que o dos últimos dois ou três trimestres me parece saudável. Porque é um ajuste momentâneo. Não vai pegar projetos de longo prazo. Durante um período é absolutamente saudável que haja redução na taxa de investimento. Com outros itens da demanda contraídos quando se aumenta a taxa de juros, isso fará com que inflação volte para a meta, o que permitirá retomar a queda dos juros e um crescimento natural dos investimentos.

A Bovespa como fica? O dinheiro estrangeiro que saiu, volta?

Acho que é natural alguma recuperação da Bovespa quando a situação do crédito internacional se normalizar.

Mas volta para níveis que já teve?

Não. Para os próximos 18 meses, o mundo crescerá menos, as empresas brasileiras como um todo, participantes do mundo, vão valer menos.

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