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Alta de juros no Brasil está fora de cogitação

Para o Brasil lidar com a crise internacional, elevações de juros estão fora de cogitação e há espaço para expansão da política fiscal. Essa é a opinião de Michael Mussa, pesquisador sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional, que acompanhou várias crises econômicas nos últimos anos.

Agência Estado |

Para Mussa, o Brasil está bem preparado para lidar com a crise por ser menos dependente de capitais externos e menos endividado do que antigamente. Mas deve começar a pensar em políticas para lidar com a turbulência. Abaixo, trecho das entrevistas que ele concedeu ao Estado:

De que maneira o Brasil vai ser afetado pela crise?

Eu acho que o Brasil será relativamente pouco afetado. O País não tem mais dívida externa significativa, a taxa de câmbio está um pouco sobrevalorizada, mas é flexível e pode se corrigir. O fato é que durante quase um ano a crise se desenrolava nos Estados Unidos e os emergentes pareciam imunes. Nos últimos meses, particularmente em setembro, eles foram atingidos de forma radical, principalmente suas bolsas de valores e preços de commodities. Mas o Brasil deve ser pouco afetado.

Como o Banco Central deve lidar com a possibilidade de inflação e a ameaça ao crescimento?

O Banco Central precisa defender sua credibilidade e não pode deixar a inflação voltar para os 10%. Mas na medida em que a economia real vem sendo afetada de forma negativa, as pressões inflacionárias vão sumir. Isso não significa que o Banco Central deva sacrificar sua credibilidade com rápidas reduções nos juros. Mas podemos dizer que alta de juros está fora de cogitação e o início de redução é apropriado em algum momento.

Vários economistas vêm falando sobre a necessidade de um esforço coordenado também entre os emergentes, para criar um estímulo global à economia, talvez por meio de afrouxamento da política fiscal...

Eu não sou a favor de coordenação por coordenação. Mas existem países emergentes com espaço em sua política fiscal para expansão. Se suas economias estiverem desacelerando de forma indesejável, eles deveriam usar política fiscal. O Brasil tem um pouco de espaço para política fiscal. O governo ganhou muita credibilidade ao longo do período Lula - mas foi muito caro chegar nesse ponto e ninguém deve desperdiçar essa conquista.

Essa é uma crise essencialmente de países ricos?

Está claro que o estresse que temos visto nas bolsas e no risco país dos emergentes é um contágio de uma crise dos países ricos.Muitos grandes emergentes estão em condições melhores hoje do que em 1980, 1981, da última vez que uma grande crise nos países ricos se espalhou para o mundo. Naquela época, o Federal Reserve (Fed, o BC americano)elevou os juros e os emergentes eram grandes tomadores de empréstimos em mercados internacionais, os preços das commodities entraram em colapso e as exportações despencaram - o resultado foi a crise da dívida, quando várias nações em desenvolvimento quebraram. Desta vez, eles não têm essa exposição, têm grandes níveis de reservas, muitos têm superávit comercial e em conta corrente e não dependem tanto de fluxos de capital estrangeiro. O Brasil está entre esses países. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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