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SÃO PAULO - O vice-presidente da Argentina, Julio Cobos, disse hoje à imprensa local que não pensa em renunciar. Nesta madrugada, Cobos, que também é presidente do Senado, deu o voto de desempate em uma longa e tumultuada votação na Casa e assim derrubou o polêmico projeto de lei do governo da presidente Cristina Kirchner que instituía as chamadas retenções - elevações de imposto sobre as exportações de grãos. Sair da vice-presidência, argumentou, seria trair a vontade popular.

Cobos disse ter votado conforme sua consciência e se declarou confiante de que as instituições argentinas são sólidas o suficiente para absorver essa divergência entre ele e a presidente.

Ele manifestou dúvidas quanto à possibilidade de Cristina pedir-lhe para deixar o cargo. Para Cobos, isso afetaria a institucionalidade. Na primeira entrevista após o pesado revés para o governo, o vice disse que ainda não havia conversado com a presidente.

O projeto entrou na pauta de ontem do Senado argentino e, depois de 18 horas de sessão, a votação estava empatada em 36 a 36. Cobos, então, deu o voto de minerva contra o projeto, dizendo estar vivendo o pior dia de sua vida.

A proposta foi encaminhada ao Congresso por Cristina Kirchner após três meses de embates entre agricultores e governo, por conta das mudanças de tributação das exportações agrícolas instituídas pelo então ministro da Economia Martin Lousteau. Revoltados, produtores rurais tomaram as estradas em mais de 300 pontos do país com tratores e caminhões, levando ao colapso o sistema de transporte de carga. Eles queriam que o governo voltasse atrás na alta de retenções, que elevou de 35% fixos para 44,1% móveis os tributos sobre as exportações de soja. A crise derrubou o ministro, levou ao desabastecimento de grandes centros e minou o apoio que o governo tinha entre parlamentares, governadores e entre a população.

(Valor Online e Valor Econômico )