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Após subir 3,97% nas sete últimas sessões, o dólar caiu hoje em relação ao real. O mercado cambial doméstico realizou parte dos ganhos recentes estimulado pela leve recuperação do euro ante o dólar no exterior, após o indicador ruim de vendas no varejo nos EUA em julho e a alta de alguns metais básicos e do petróleo, que ampararam o avanço da Bovespa.

Esse cenário estimulou um movimento de redução de apostas na apreciação do dólar no mercado futuro e também justificou vendas de moeda no mercado à vista por exportadores, fatores que induziram o recuo do dólar, de acordo com operadores consultados.

O dólar comercial cedeu 0,55% e encerrou o dia cotado a R$ 1,615. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o dólar negociado à vista recuou 0,71%, a R$ 1,6135. O giro total melhorou para cerca de US$ 4,070 bilhões.

Segundo uma fonte de uma corretora, a interrupção hoje da alta recente do dólar no mercado local pode ser pontual. Isso porque há previsões de continuidade do movimento de correção do dólar no mercado global de moedas. No exterior, o sentimento entre os analistas é de que há espaço para um ajuste mais forte da moeda norte-americana, tanto que algumas instituições estão reformulando suas perspectivas para o dólar em relação ao euro porque acreditam que o avanço pode se sustentar. "Conforme as expectativas de crescimento e juro fora dos EUA pioram, acreditamos que o dólar continuará se firmando", disseram estrategistas do banco UBS em nota de pesquisa. Eles agora prevêem que o euro poderá se recuperar para US$ 1,51 no próximo mês, cair para US$ 1,47 até o final do ano e ficar em US$ 1,40 dentro de um ano. Na pesquisa de julho, as previsões eram, respectivamente, US$ 1,55, US$ 1,50 e US$ 1,48.

Hoje, contudo, o dólar perdeu força ante o euro, que operou ao redor da estabilidade à tarde, pressionado pela queda das vendas no varejo nos EUA em julho pela primeira vez em cinco meses. O dado reflete que o consumo, que responde por mais de dois terços da atividade econômica total naquele país, começou mal o segundo semestre do ano. Às 16h40, o euro subia 0,01%, a US$ 1,4933, após oscilar entre mínima a US$ 1,4841 e máxima a US$ 1,4982.

Amanhã, serão divulgadas as estimativas preliminares do PIB de oito países europeus e da zona do euro no segundo trimestre - os destaques serão os dados sobre a França, Espanha e Alemanha - e também os índices de preços ao consumidor da Alemanha e da zona do euro em julho. Caso esses dados venham piores do que o esperado, poderão reforçar no mercado a expectativa sobre futuros cortes nos juros pelo Banco Central Europeu, o que poderia reconduzir o euro para uma queda mais acentuada, observou um profissional.