Brasil exportou US$ 717 milhões para o Iraque em 2009; nos dois primeiros meses deste ano, números já cresceram 118%

Desde a queda do regime ditatorial de Saddam Hussein, em 2003, a balança comercial entre Brasil e Iraque se mantém em forte ritmo de expansão. Em sete anos, as exportações brasileiras para o país registram crescimento de cerca de 1600%, saltando de US$ 42,3 milhões para US$ 717,8 milhões em 2009. Para 2010, a expectativa é que os números do comércio dobrem. “Acredito que as exportações cheguem a US$ 1,4 bilhão no final do ano”, diz o presidente da Câmara Brasil Iraque, Jalal Chaya.

Para que os números se confirmem, governo iraquiano e empresas brasileiras discutem parcerias nos setores de transportes, habitação e saneamento básico. Recentemente, a ministra Bayan Mohammed Dizayee, da pasta da Construção e Habitação, esteve no Brasil em contato com companhias locais. O governo iraquiano tem projetos de construção de 2,5 milhões de casas até 2015.

"No ano passado, tivemos um empate na balança entre Brasil e Iraque. Neste ano, o Brasil deve ser superavitário", diz Chaya. Somente nos dois primeiros meses de 2010, os números comprovam a tendência de crescimento. Em janeiro e fevereiro, o comércio entre os dois países cresceu 118%, com exportações brasileiras somando US$ 142 milhões. No topo da lista de produtos exportados aparecem açúcar e carne de frango. Carne bovina e máquinas de construção civil completam a lista das maiores demandas iraquianas no Brasil.

EXPORTAÇÕES DO BRASIL PARA O IRAQUE

Acompanhe o desempenho das vendas brasileiras para os iraquianos desde 1988
Em 1992, 1995 e 1996 não houve operações

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Fonte: Câmara Brasil Iraque

"Tivemos um período praticamente de 30 anos de estagnação. Foram 15 anos do embargo ao Iraque e 15 anos da abertura do mercado brasileiro. Agora, estamos diante de um mercado potencial muito grande", diz Chaya.

Desde o fim do regime ditatorial, o Iraque passa por um processo de abertura comercial, com o poder público saindo aos poucos do papel de centralizador da economia. “O maior comprador do Iraque ainda é o governo. No antigo regime, 98% das aquisições eram governamentais. Hoje, estão tentando descentralizar isso, mas ainda leva tempo.”

Nas relações entre Brasil e Iraque, a iniciativa privada já responde por 90% das operações, segundo Chaya.

Riscos

Embora o Iraque atravesse atualmente um período menos turbulento do ponto-de-vista político, o empresário brasileiro ainda se assusta quando o assunto é uma parceria comercial com o Iraque. “A maioria dos empresários associa Iraque a carro-bomba, explosões e terroristas”, diz Chaya.

“Falta o empresário brasileiro conhecer o Iraque. Não adianta chegar lá quando o país estiver reconstruído. Hoje, há espaço para todo mundo”, completa o presidente da Câmara Brasil Iraque, que afirma que o país tem "várias áreas com muita segurança".

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