BRASÍLIA - O presidente da Embraer, Frederico Curado, afirmou nesta quarta-feira que não há possibilidade de reverter o quadro de demissões de 4,2 mil empregados, anunciado na última quinta-feira pela empresa. A avaliação foi feita após reunião com o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e ministros do governo nesta tarde.

Segundo Curado, a crise econômica exterior provocou diminuição na demanda por aviões, levando à decisão pelas demissões. "O problema não está na empresa e não está no Brasil. Está fora do Brasil, de onde nós temos mais de 90% da nossa receita. Então, efetivamente, o que nos levou a fazer esta medida drástica foi a forte retração do mercado de aviação internacional", explicou.

O restabelecimento das contratações só deve ocorrer quando o mercado internacional se recuperar. Não temos uma visão clara de quando isto irá acontecer. Gostaria de relembrar setembro de 2001, quando houve aquela crise internacional, em função dos ataques terroristas. Naquele momento a empresa também dispensou da ordem de 15% dos seus funcionários. E dois anos após isso ela pode recontratá-los, acrescentou Curado.

Ao ser questionado se não haveria a possibilidade de conceder férias coletivas em lugar das demissões, Curado disse que a impossibilidade de prever quanto tempo a crise irá durar impede a implementação da estratégia. "Férias coletivas é quando se tem uma visão de recuperação razoavelmente de curto prazo. Nossa visão é que as encomendas, o nível de produção e esta redução de 30% vão demorar de 2 a 3 anos para se recuperar. Se acontecer antes, excelente, é nosso maior desejo", argumentou. Apesar das dificuldades, Curado garantiu que não haverá novas demissões.

Segundo Curado, o presidente Lula está pesaroso e fez apelo para que a empresa possa, de alguma forma, apoiar os funcionários que foram demitidos. "O presidente nos fez um apelo e nós vamos considerar este apelo. Ele pediu para ver o que a empresa pode fazer além do que já está fazendo. A empresa está cobrindo por um ano integralmente as despesas do plano médico dos demitidos e de suas famílias. O presidente solicitou que nós avaliássemos algum apoio adicional às pessoas que foram demitidas e nós vamos analisar", concluiu.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, ressaltou que Lula não pediu para a Embraer a recontratação dos funcionários, mas apenas para que a empresa encontre formas de minimizar o sofrimento dos funcionários e de suas famílias.

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