Montadoras deixam de produzir 200 mil carros com férias coletivas" /
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Após recordes de vendas de veículos, montadoras veem 2009 com cautela

SÃO PAULO - A queda acentuada nas vendas de veículos no último trimestre fez acender o sinal de alerta no mercado brasileiro. Pela primeira vez, desde 2006, a indústria automobilística registrou queda no comparativo com o ano anterior ¿ até então as vendas vinham batendo sucessivos recordes. http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/11/29/montadoras_vao_deixar_de_produzir_200_mil_carros_3097448.html target=_topMontadoras deixam de produzir 200 mil carros com férias coletivas

Marina Morena Costa, repórter do Último Segundo |

Acordo Ortográfico

Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a primeira quinzena de novembro registrou queda de 20,17% no número de automóveis emplacados (89.850) em relação ao registrado no mesmo período de outubro (112.557 veículos).

O mercado aguarda com expectativa os resultados de novembro e dezembro para desenhar um prognóstico para 2009, e espera que as linhas de crédito para financiamento de veículos ofertadas às montadoras recentemente pelo Banco do Brasil e a Nossa Caixa - no total de R$ 8 bilhões - tenham efeito nas vendas.

No entanto, as previsões dos economistas falam em crescimento enxuto no próximo ano. A indústria automobilística vai entrar em desaceleração em 2009, aposta Evaldo Alves, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP). Na visão do economista, os países da Europa e os EUA sofrerão perdas mais drásticas, por causa da recessão econômica. No Brasil, a crise deve atingir com mais força os segmentos voltados para o mercado externo, como a indústria de autopeças e as montadoras que exportam carros completos, avalia Alves.

AE
Veículos no terminal portuário de cargas do Rio de Janeiro

Veículos no terminal portuário de cargas do Rio de Janeiro

Férias coletivas e demissões

O recuo nas exportações já afetou o setor de autopeças. Segundo o Sindicato da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), pela primeira vez em 22 meses o setor registrou demissões, 700 cortes em outubro ¿ número que será maior quando forem computadas as dispensas ocorridas em novembro.

Montadoras como Volkswagen e General Motors têm decretado férias coletivas aos empregados de suas fábricas para frear a produção, sem recorrer às dispensas. Estamos adequando a produção ao mercado e demissões não foram sequer mencionadas, informou a GM por meio de sua assessoria de comunicação.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, diz acreditar que não há necessidade de demissões e vê as férias coletivas como uma boa medida para controlar a crise: O setor vem trabalhando há dois anos em ritmo acelerado, sem férias, de domingo a domingo".

Segundo Nobre, que além de presidente de sindicato é funcionário da Mercedes-Benz, é preciso cautela neste momento. A indústria automobilística não pode demitir ao primeiro sinal de problema econômico. Esta mentalidade tem que mudar, porque quando o setor volta a crescer, contratar pessoas não capacitadas causa uma defasagem na produção, afirma.

Investimentos e cenário 2009

AE
O governador do Estado de São Paulo, José Serra(e), e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciam

Governador de SP José Serra e o ministro da
Guido Mantega anunciam ajuda a montadoras 

Apesar da queda expressiva nos últimos dois meses, o setor deve fechar o ano com saldo positivo. No acumulado de janeiro a outubro, a indústria automobilística registra alta de 23% (2,45 milhões de veículos vendidos), em comparação com o mesmo período de 2007 (1,98 milhão), segundo dados Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos (Anfavea).

Mas o presidente da associação, Jackson Schneider, já admite que existe uma "certa dificuldade" para o setor vender 3 milhões de unidades este ano, conforme previa a entidade até hoje. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele evitou fazer uma nova projeção para a comercialização de automóveis para este ano. "Vamos conversar sobre isso no próximo dia 4", disse ele, referindo-se a divulgação mensal dos resultados do setor feita pela Anfavea.

As montadoras Fiat, GM, Ford, Volkswagen e Toyota afirmam que ainda é cedo para prever o cenário que encontrarão em 2009, e para traçar metas ou planos de ação. O cronograma de investimentos das empresas segue sem alterações.

A Toyota, por exemplo, diz que iniciará no ano que vem a construção de uma fábrica em Sorocaba, interior de São Paulo, com previsão de entrega para 2012. A Fiat assevera que vai manter os investimentos de R$ 5 bilhões para o período de 2008 a 2010, de acordo com a declaração de seu CEO mundial, Sergio Marchionne.

Somente a GM já admitiu perdas neste ano. A meta da empresa era vender 600 mil carros no mercado interno, mas a montadora acredita que atingirá um patamar entre 575 mil e 580 mil vendas. Segundo declarações do presidente da empresa, Jaime Ardila, o faturamento da GM deve ficar em US$ 9,5 bilhões este ano ¿ US$ 1,5 bi a menos do que o previsto.

Assim como as demais montadoras a GM espera os resultados de novembro e dezembro, para definir os planos em 2009. A montadora informou por meio de sua assessoria que é quase impossível prever algo, mas trabalha com a expectativa de crescimento de 5% para o mercado automobilístico em 2009. Alves faz um prognóstico menos otimista: O setor deve crescer entre 2% e 3%. Mas crescerá mais do que as matrizes, na Europa e nos EUA.

Crise no exterior

EFE/Rob Widdis
GM anuncia cortes no exterior
GM anuncia cortes no exterior
No último mês, três gigantes norte-americanas, GM, Ford e Chrysler, imploraram por ajuda financeira a um Congresso reticente. Os executivos das maiores montadoras dos EUA afirmaram ao Comitê Bancário do Senado que estão à beira do colapso. Pediram uma ajuda de US$ 25 bilhões, que até agora não veio.

A Associação Européia dos Construtores Automotivos pediu à Comissão Européia um pacote de socorro de 40 bilhões para seus 15 membros. O pacote de 200 bilhões de euros anunciado nesta quarta-feira (26) pela Comissão deve dar novo fôlego à economia do continente.

Em países como o Japão, as montadoras também registram desaceleração na produção. Segundo Alves, este é um dos reflexos da forte recessão que está por vir nos países de primeiro-mundo. Porém o economista faz uma ressalva: Não basta injetar dinheiro nas empresas. A cadeia de produção tem que mudar. O mercado americano, principalmente, precisa produzir carros mais econômicos, lucrativos e ecológicos. Eles têm muito a aprender com os outros países, não mais a ensinar.

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