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Após boom imobiliário , preços dos imóveis devem cair em 2009

O ¿boom imobiliário¿ registrado em 2007 e a previsão de crescimento recorde de 10% da construção civil em 2008, segundo dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), estão chegando ao fim para os especialistas. Consultores imobiliários consideram que, em 2009, o mercado irá sofrer uma desaceleração e, com isso, os preços vão baixar. ¿É o momento de esperar. O mercado está parado, mas os preços ainda estão em alta¿, explica Aldo Mondini Filho, administrador de empresas e consultor da Mega Brasil Consultoria, em São Paulo.

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

 

Para Mondini, os preços dos imóveis extrapolaram em 2007 e 2008 e, diante desta sobrevalorização, uma futura queda é inevitável. Ainda não deu pra sentir o quanto vai cair, mas deve ser cerca de 30% [do total do valor praticado atualmente], considerou. Hoje há alguns imóveis de R$ 410 mil que, na verdade, deveriam custar entre R$ 370 e R$ 380 mil, acrescentou.

Localizada na Chácara Klabin, bairro de classe média alta da zona sul de São Paulo, a Mega Brasil Consultoria é especializada em imóveis de alto padrão, mas, desde setembro, o valor das negociações que faz vem caindo. A maior venda que tivemos nos últimos três meses foi de R$ 350 mil, afirmou Mondini.

A insegurança dos investidores e consumidores, que não sabem ao certo qual será o impacto da crise financeira no Brasil, já se reflete no mercado de apartamentos de luxo. A venda de apartamentos de R$ 1 milhão e R$ 2 milhões parou totalmente. Hoje, de 90 a 95% da procura que temos é por imóveis de até R$ 300 mil, disse o consultor.

Mas não é só este leque do mercado imobiliário que é afetado pela crise mundial. Segundo o consultor Ademir Silva, dono da ACI Consultoria Imobiliária, na zona norte da capital, a classe média baixa, com medo de demissões e falta de crédito no mercado, também se tornou mais cautelosa. O pessoal arriscava mais, financiava R$ 150 mil, R$ 200 mil. De outubro para cá caiu em mais de 50% a procura por imóveis acima de R$ 100 mil. A maioria quer entre R$ 80 mil e R$ 100 mil, afirmou.

Para minimizar os efeitos da crise no setor, muitas imobiliárias apostam em imóveis mais baratos e usados. De acordo com pesquisa do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, locação e Administração de Imóveis dos Condomínios Residenciais e Comerciais do Estado de São Paulo (Secovi-SP), em setembro deste ano, após o estouro da crise mundial, o número de lançamentos foi de 2.368. O que representou um recuo de 35% em relação a agosto, quando foram lançadas 3.642 unidades.

A insegurança do consumidor é sentida também no volume de imóveis novos comercializados na cidade. Em setembro foram vendidas 2.544 unidades residenciais, um recuo de 38,6% em comparação ao mês anterior (4.146 unidades). As pessoas estão mais precavidas com a crise e estudando mais para comprar imóveis novos, afirmou o consultor Silva.

No entanto, mesmo com a queda, o número total de imóveis negociados na capital paulista de janeiro até o final de setembro ainda foi maior que o do mesmo período de 2007. Foram vendidas 28.464 unidades, o que indica um crescimento de 17,4% em relação a 2007. No ano passado, de janeiro a setembro, foram vendidas 24.249 unidades.

No Rio de Janeiro, a Ética imobiliária, que possui 25 filiais no Estado, também sente os efeitos das quedas na venda de apartamentos recém-lançados. De acordo com Luiz Carlos Ferraz, corretor da unidade de Bangu, na zona Oeste do Rio de Janeiro, houve uma redução de 30% a 40% em outubro e novembro na venda de imóveis novos. Houve uma redução no mercado de usados, mas foi muito pequena, porque ele oferece muitas facilidades de financiamento e o preço é mais em conta, afirmou.

Não é só no Sudeste do Brasil que o mercado dá sinais de desaceleração. De com uma pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), o mercado imobiliário teve redução de 54,2% nas vendas em outubro em relação às de setembro. Se o referencial for outubro de 2007 a queda foi de 2,9%.

O Índice de Velocidade de Vendas de Imóveis (IVV), que mede a relação das vendas sobre as ofertas, da região metropolitana do Recife atingiu 4,3% em outubro. Segundo a Fiepe, esse é o menor índice do ano e o mais baixo desde agosto de 2006, quando o setor teve um índice de 4,1%. Mas, mesmo com o resultado contido de outubro, a média do IVV deste ano é de 7,5%, desempenho superior aos 6,3% do ano passado.

Até o final de outubro, foram comercializados 4.009 imóveis novos na região metropolitana do Recife, um crescimento de 70,2% em comparação com o mesmo período de 2007. Apesar disso, o corretor Luis Patrício Bezerra, da imobiliária True Imóveis, já sente nos próprios lucros o impacto da desaceleração. Segundo ele, as vendas de apartamentos novos caíram em torno de 60% em outubro e as de usados em cerca de 20% em relação aos meses anteriores. Com a abundância de ofertas, ele considera que os preços devem abaixar também na capital pernambucana no próximo ano. Na minha opinião, de quem é corretor há 15 anos, os preços devem cair em janeiro e fevereiro. Por enquanto não senti essa baixa, afirmou.

Já na avaliação do corretor Helson Ramalho, da GM Imobiliária, também no Recife, houve uma procura maior por imóveis usados após o início da crise. Algumas pessoas ficaram com medo de que os bancos cortassem as linhas de crédito e decidiram comprar logo, explicou. Já na parte de lançamentos novos, que representa 20% das vendas da imobiliária, a queda foi em torno de 30%.

Na capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, a taxa de velocidade de vendas de imóveis novos no mercado imobiliário foi de 13,56% em outubro de 2008, de acordo com pesquisa realizada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS). Em 2007, a taxa atingiu 15,68%.

Com imóveis novos sobrando, muitas promoções devem se concentrar neste nicho de mercado em 2009. O conselho dos especialistas para quem quer comprar é claro: se não há necessidade imediata, o consumidor deve aguardar preços melhores ao longo do próximo ano.

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