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Após pacote, mercado paga 73% por título grego

Apesar de socorro anunciado por FMI e UE, mercado ainda tem incertezas com relação ao futuro da economia grega

Klinger Portella, iG São Paulo |

O plano de resgate anunciado pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) à economia da Grécia ainda não tirou completamente os temores dos investidores com relação à saúde econômica do país. Preocupado com o perfil da dívida pública de curto prazo e com as incertezas sobre a retomada da trajetória de crescimento, o mercado negocia atualmente os títulos públicos da Grécia por cerca de 70% do valor de face.

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Papandreou: primeiro-ministro grego diz que economia não precisará do socorro europeu
No fechamento da última segunda-feira _primeiro dia útil após o anúncio do empréstimo de US$ 45 bilhões ao país_, os títulos públicos da Grécia eram liquidados por 73,2% do valor de face. O resultado é melhor que os 69,5% que chegaram ser pagos no dia 9, menor nível desde o agravamento da crise local.

Na avaliação de economistas consultados pelo iG, o pacote de socorro à Grécia traz “alívio” para a situação atual do país. Mas a solução do problema ainda está longe de ser alcançada. “Por um bom tempo veremos a Grécia pressionada”, diz Zeina Latif, economista-chefe do Banco ING. “Ainda existe algum ceticismo para curto e médio prazo."

Para ela, no entanto, as pressões vão além dos próximos meses. "No longo prazo, há o reconhecimento de que a economia grega está fadada a crescer pouco, porque tem de cumprir metas fiscais que não são triviais para evitar um maior crescimento da dívida", afirma Latif. "Um esforço fiscal para um país que está frágil impõe custo recessivo forte."

A opinião parece ser unânime. Para Alex Agostini, economista-chefe da empresa de classificação de risco Austin Rating, o pacote tirou “a água de cima do nariz para baixo do queijo” e deu sobrevida à situação atual da Grécia. No entanto, ele aponta a preocupação com relação ao vencimento da dívida de curto prazo do país. “Cerca de 150 bilhões de euros dos 300 bilhões de euros da dívida vencem nos próximos três anos”, diz.

Apesar disso, Agostini não acredita em calote da dívida. “Eu compraria um título da Grécia, porque ela faz parte da zona do euro", diz. "A Europa não vai deixar a Grécia quebrar.” 

Para o economista André Perfeito, da corretora Gradual Investimentos, o pacote estabeleceu um teto para a dívida pública grega, já que, em caso de elevação dos custos no mercado, o governo grego pode recorrer ao recurso disponibilizado pelo FMI e pelo BCE.

Por outro lado, Perfeito acredita que o pacote em si não é suficiente. “Simplesmente dar dinheiro e não ajudar o país a equalizar os problemas da dívida não resolve o sistema”, afirma, comparando o pacote de resgate implantado pelos Estados Unidos ao sistema bancário, no auge da crise de 2008. Perfeito afirma que o anúncio do pacote grego veio tardiamente, após o CDS (Credit Default Swaps, que permitem a proteção do investidor contra calotes da dívida) de cinco anos do país chegar ao mesmo patamar da economia de Dubai, que também teve ameaça de calote.

“Se a Grécia não entrar em uma condição equilibrada fiscal, que possa recolocar a economia nos trilhos, não veremos o país saindo desse lamaçal por algum tempo", diz Agostini. "O lado quantitativo [recursos] está sendo feito, mas temos doze meses para começar a dar sinais de melhora econômica.”

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