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Após acordo de Rússia e Ucrânica, Europa pode receber gás nas próximas horas

Boris Klimenko. Kiev, 11 jan (EFE).- Ao assinar neste domingo o acordo para que observadores internacionais supervisionem o transporte do gás russo por seu território, a Ucrânia abriu caminho para a retomada do fornecimento do insumo aos países da Europa, que pode acontecer já nas próximas horas.

EFE |

A primeira-ministra ucraniana, Yulia Timoshenko, anunciou a assinatura do documento, previamente rubricado por Rússia e União Européia (UE), nesta madrugada, em uma entrevista conjunta com o primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, cujo país exerce atualmente a Presidência rotativa do bloco europeu.

"O gás começará a chegar assim que todos os observadores estiverem nas instalações. Acho que isto ocorrerá no curso de 36 horas", disse Topolanek.

Assim que o acordo foi assinado, começou o posicionamento de observadores nas estações de bombeamento russas, ucranianas e dos países fronteiriços do Leste Europeu, que controlarão a entrada do gás russo na Ucrânia e sua saída para a Europa.

"Foi eliminada a última barreira artificial que supostamente continha o processo de transporte de gás à Europa, por isso agora toda a responsabilidade pelo fornecimento recai sobre a parte russa", declarou Bogdan Sokolovski, assessor do presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, para assuntos de segurança energética.

No último dia 7, a empresa russa Gazprom suspendeu totalmente a distribuição de gás natural aos consumidores europeus pelo sistema de gasodutos da Ucrânia, após denunciar que o produto estava sendo desviado em território ucraniano, por onde passa cerca de 80% das exportações de gás russas para a Europa.

A suspensão do bombeamento, que afetou gravemente vários países do Leste Europeu e da Europa Central, aconteceu depois que, no dia 1º, a Gazprom cortou os envios diretos para a Ucrânia devido à falta de acordo sobre as tarifas de transporte para este ano.

As autoridades ucranianas, porém, rejeitaram de maneira categórica as acusações de Moscou sobre o suposto furto de gás.

"Declarações deste tipo não fortalecem a amizade nem a confiança mútua, e desprestigiam não só a Ucrânia, mas também a Rússia", declarou à época o presidente ucraniano, que criticou as declarações dos russos.

Segundo o Governo ucraniano, o mandato da missão de observadores internacionais, que inclui observadores russos em instalações ucranianas e especialistas ucranianos nas estações russas, não deverá passar de um mês.

"Achamos que a comissão de monitores deve trabalhar no máximo por um mês", disse Timoshenko.

Por sua vez, a primeira-ministra disse que ainda há esperanças para um acordo com a Rússia sobre o aumento "proporcional e por períodos" das tarifas para a passagem do gás russo pela Ucrânia.

Em outubro do ano passado, Moscou e Kiev assinaram um memorando no qual referendaram sua intenção de, em três anos, praticarem preços de mercado tanto na comercialização do gás russo como em seu transporte pelo território ucraniano.

As negociações sobre o fornecimento do gás russo à Ucrânia, que nos últimos três dias aconteceram em Moscou com a presença do presidente da estatal ucraniana Naftogaz, Oleg Dubina, terminaram sem resultados.

"Foi proposto à Ucrânia que pagasse US$ 450 por cada mil metros cúbicos de gás, preço que praticamente não existe na Europa", disse Dubina ontem, quando voltava da capital russa.

O presidente da Naftogaz declarou que, a partir de agora, "as negociações terão que continuar em um outro nível", provavelmente entre os chefes de Governo ou de Estado dos dois países.

Logo após a explosão do conflito, a Gazprom elevou de US$ 250 para US$ 418 a tarifa cobrada da Naftogaz pelo gás russo.

Após o corte no fornecimento para a Europa, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, destacou que os contratos com a Ucrânia devem ser assinados com "preços de mercado, de nível europeu", sem benefícios nem descontos.

 

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