SÃO PAULO - O crescimento do emprego e da renda sustentaram o bom desempenho do setor de eletroeletrônicos do país no primeiro semestre, apesar dos desafios representados pela valorização do real e conseqüente aumento das importações. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o setor teve expansão de 11% entre janeiro e junho, na comparação com igual período de 2007. A entidade avalia em R$ 50 bilhões o faturamento da indústria nos primeiros seis meses do ano.

Para o fechado de 2008, o setor deve manter a taxa de crescimento de 11%, e atingir receita global de R$ 123,6 bilhões. A maior contribuição, afirma a Abinee, virá do segmento de informática, cujo faturamento deve crescer 19% no fim do ano, para R$ 35,8 bilhões. Ao fim do primeiro semestre, esse segmento acumulava expansão de 8% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

Segundo a entidade, o setor voltou a registrar, no primeiro semestre deste ano, uma taxa de expansão das receitas equivalente a duas vezes o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Para a entidade, essa é uma tendência que deve se manter nos próximos anos.

A Abinee afirma que o entusiasmo com o crescimento do setor é tal que as empresas têm acelerado o investimento em produção. "Há um grande esforço do setor produtivo para acompanhar o crescimento econômico do país", afirma o presidente da entidade, Humberto Barbato. "E vemos a mesma movimentação nas pequenas e médias empresas", acrescenta.

Pelas contas da Abinee, o setor deve investir R$ 4,9 bilhões neste ano, o equivalente a 4% do faturamento previsto - contra apenas 3% no ano passado. Entre as pequenas empresas, 90% afirmam que irão investir neste ano, em volume médio equivalente a 6,7% do faturamento líquido no período.

A entidade ainda se disse surpreendida positivamente pelo fato de que 85% das companhias que pretendem investir neste ano, o farão com capital próprio.

Apesar das boas perspectivas, a Abinee engrossa o coro dos que reclamam da valorização sustentada do real frente o dólar. Isso tem efeito negativo sobre as exportações, à medida que os preços em real dos produtos brasileiros deixam de ser competitivos no mercado externo. Como conseqüência, a Abinee registrou uma queda das exportações na receita total do setor no semestre.

Pelas contas da entidade, a valorização de cerca de 17% no real reduzirá a participação das exportações no faturamento da indústria dos 16,2% de 2007 para 13,8% neste ano. Entre janeiro e junho, o setor exportou US$ 4,8 bilhões, uma alta de 9% ante igual período de 2007. Por outro lado, as importações de eletrônicos no país aumentaram 40% no semestre, para US$ 15,1 bilhões - com especial crescimento entre os celulares (148%).

Para o fechado do ano, a Abinee estima que as importações cheguem a US$ 33,7 bilhões (ante US$ 24 bilhões em 2007) e as exportações a US$ 10,3 bilhões (contra US$ 9,3 bilhões no ano passado). Dessa forma, o déficit comercial anual da indústria de eletroeletrônicos deve se elevar dos US$ 14,8 bilhões registrados em 2007 para US$ 23,4 bilhões neste ano.

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