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Apesar de queda em agosto,indústria pode crescer 7% em 2008, diz Fiesp

SÃO PAULO - Dos 17 setores analisados pela Federação da Indústria do Estado de São Paulo, apenas dois tiveram desempenho positivo, levando o Indicador do Nível de Atividade (INA) a cair 3% de julho para agosto, considerados ajustes sazonais. Essa foi a maior baixa mensal desde abril de 2006, mês em que o indicador havia caído 7,5% frente a março.

Valor Online |

Vale notar que o número não incorporou os desdobramentos da crise neste mês.

Ainda assim, a Fiesp acredita que o índice pode encerrar o ano com 6,5% a 7% de crescimento sobre 2007. No acumulado dos 12 meses findos em agosto o índice soma alta de 8,5%. Como o trimestre final de 2008 já está "contratado" no setor industrial, as atenções se voltam para 2009, ano que o PIB do país deve crescer 4,1%, segundo estimativa da entidade.

"Não sabemos se e quando vamos revisar isso", disse Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) da Fiesp durante a apresentação do indicador, que teve nos setores Coque, refino de petróleo e produção de álcool e no de Equipamentos de escritório e informática as únicas contribuições positivas no mês.

Segundo Francini, o agravamento da crise internacional observado há duas semanas e a piora verificada hoje, com perdas substanciais em bolsas do mundo todo, ainda não traz ameaças para o sistema financeiro do país, mas "algum grau de contágio vai existir". A ponta de maior preocupação é com o crédito. "Empresa não vive sem crédito", disse, lembrando que as restrições já vinham sendo sentidas pela alta da Selic desde abril e têm ganhado corpo com a crise internacional de liquidez.

"Eu tenho dúvida - que é também uma esperança - sobre se o Banco Central (BC) vai continuar elevando a Selic", disse Francini. Ele afirmou que a intenção da autoridade monetária com a alta do juro era reduzir a demanda por meio do crédito, tarefa para a qual o BC conta agora também com a crise. "Essa redução vem por outros fatores agora", avaliou.

O dirigente avaliou ainda que as decisões dos empresários se pautam menos pelo noticiário e bem mais pelo comportamento do mercado em que atuam. "O âmbito de observação é da atividade própria", avalia. O INA divulgado hoje mostra que as vendas reais da indústria caíram 1,9% frente a agosto, mas ainda revelam alta de 6% no acumulado de janeiro até agosto.

A decisão de empresários sobre novos investimentos seria o primeiro canal do setor produtivo a sentir o impacto do pessimismo disseminado globalmente pela crise financeira originada nos Estados Unidos. Francini diz que assim como demoram para decidir contratar mão-de-obra, os empresários também pensam muito antes de cortar a folha de pagamento. "Emprego é o que vem depois", reforçou.

Os investimentos em andamento também são complicados de serem interrompidos, mas a "decisão de novos investimentos pode ser afetada". Ainda assim, cada caso é um caso e o que define essa restrição futura é a demanda atual.

Ele admite, no entanto, que setores como o automobilístico, que dependem muito da oferta de crédito ao consumo (mais restrito atualmente), podem liderar eventual parada para análise do cenário antes de decidir novos investimentos.

No mês de agosto, a atividade da indústria de veículos automotores em São Paulo caiu 2,5% em termos ajustados, com vendas 1,2% perante julho. Em máquinas e equipamentos a atividade também sofreu uma inflexão, com queda de 3,3% e queda de 3,7% nas vendas reais.

O que se sabe por enquanto, diz Francini, é que o tempo futuro será pior do que o passado e que o pacote de US$ 700 bilhões do governo americano, rejeitado pelo congresso do país nesta segunda-feira, talvez não fosse nem mesmo suficiente para normalizar a situação, embora significasse uma esperança de melhora para o caos.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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