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A queda nos preços das commodities nas últimas semanas não impediu o aumento expressivo da participação dos produtos básicos na pauta exportadora brasileira. Esses itens responderam por 37,1% de todas as vendas do Brasil para o exterior no período de janeiro a setembro deste ano, o maior índice desde 1983.

Por outro lado, a participação dos produtos manufaturados recuou de 52,7% nos nove primeiros meses de 2007 para 46,6% no mesmo período de 2008, o menor porcentual desde 1980, segundo os dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

As exportações e as importações atingiram em setembro o segundo maior valor mensal da história, somando US$ 20,02 bilhões e US$ 17,26 bilhões, respectivamente. O superávit comercial foi de US$ 2,76 bilhões. Os produtos básicos ganharam espaço na balança comercial em decorrência do aumento dos preços das commodities nos primeiros meses do ano. Isso mostra a vulnerabilidade das exportações brasileiras em relação às variações de preços no mercado internacional.

O secretário de Comércio Exterior do ministério, Welber Barral, avaliou que a queda nos preços das commodities ainda não foi sentida nas exportações. Para ele, os efeitos da crise internacional só serão sentidos na balança comercial dentro de 90 dias, se for mantida a restrição de crédito no mercado internacional. Mas o governo já estuda medidas para garantir financiamento para os exportadores.

Apesar de terem perdido participação na pauta brasileira, as vendas externas de produtos manufaturados registraram recorde em setembro, totalizando US$ 9,29 bilhões, um aumento de 4,9% em relação a setembro de 2007. O resultado foi influenciado pela venda de um módulo de plataforma de petróleo para os Estados Unidos, no valor de US$ 862 milhões.

As exportações de produtos básicos cresceram 44,5% e as de semimanufaturados, 31,6% em relação a setembro do ano passado. Do lado das importações, as compras de bens de consumo subiram 48,2% em relação a setembro de 2007, enquanto as de matérias-primas tiveram aumento de 41,3% e as de bens de capital, 35,8%. As importações de combustíveis e lubrificantes subiram 32,8%.

Barral avaliou que a valorização do dólar nos últimos dias, se mantida, poderá reduzir as importações nos últimos meses do ano. Nas exportações, o efeito deve ser sentido somente no próximo ano. Ainda de acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, as exportações e as importações brasileiras acumuladas no período de janeiro a setembro de 2008 atingiram valores recordes para o período.

As vendas externas totalizaram US$ 150,87 bilhões e as importações, US$ 131,21 bilhões. O superávit comercial acumulado no ano diminuiu para US$ 19,66 bilhões, ante os US$ 30,94 bilhões registrados em igual período do ano passado. Mesmo com a crise financeira nos Estados Unidos, o Brasil conseguiu neste ano expandir em 15,1% as vendas para aquele mercado. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.