Mesmo com o agravamento da crise internacional, que promete retrair a economia mundial e reduzir o crédito aos exportadores, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, anunciou que aumentará a meta das exportações brasileiras deste ano. Espero que as exportações cheguem, no mínimo, a US$ 200 bilhões, disse o ministro, que também criticou analistas que estão prevendo redução do saldo da balança comercial brasileira.

A meta atual das exportações é de US$ 190 bilhões. Miguel Jorge avaliou que a valorização do dólar em relação ao real nas últimas semanas deve contrabalançar uma eventual queda das exportações por causa da retração do consumo mundial.

"Essa crise americana pode ter um resultado secundário nas exportações brasileiras", admitiu. "Mas essa redução das exportações pode ser compensada pelo aumento do dólar, como em algum momento já foi compensada pelo aumento dos preços das commodities." Segundo ele, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) está terminando as análises e deve divulgar a nova projeção para as vendas externas na próxima semana.

O ministro criticou as projeções pessimistas de analistas de comércio exterior sobre o desempenho da balança comercial em 2009, por causa da redução dos preços internacionais das commodities. "Eu não acredito em analistas", disse Miguel Jorge.

Ele lembrou que vários institutos de comércio exterior projetaram um superávit de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões para 2008, mas o saldo da balança deve ficar acima dos US$ 20 bilhões. "Teremos um superávit bastante importante este ano", afirmou, sem citar números.

Miguel Jorge destacou que as previsões de mercado para o comércio exterior na pesquisa semanal Focus, do Banco Central, sofreram seis revisões em um mês e meio. Na Focus desta semana, a previsão de superávit para 2008 está em US$ 23,60 bilhões e, para 2009, em US$ 13 bilhões, ante um saldo comercial de US$ 40 bilhões no ano passado.

Já há analistas de mercados que prevêem uma deterioração ainda maior do superávit no ano que vem. A MB Associados previu esta semana um saldo de US$ 4,4 bilhões. "É uma análise absolutamente irresponsável", criticou o ministro. "Eu não levo em conta esse tipo de análise."

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